(A Fila Anda) The Walking Dead: Season 2 – Ep. 1 – All That Remains

Com a primeira temporada de The Walking Dead, a Telltale conseguiu, de certa forma, revolucionar o gênero point-and-click. Ótimas mecânicas, gráficos bonitos, uma história fantástica, personagens cativantes e memoráveis e diálogos que realmente mudam o curso da história. Tudo isto ajudou a transformar TWD, o game, em algo realmente único.

Trata-se de um conjunto de elementos, considerando-se tal temporada, que certamente deixou muita  gente com lágrimas nos olhos quando os créditos subiram. Que certamente fez com que jogadores não apreciadores do gênero aponte-e-clique finalizassem a temporada com enorme satisfação.

The Walking Dead: Season 2 - Ep. 1 - All That Remains

Quem jogou os cinco episódios da primeira temporada de The Walking Dead certamente ficou com uma fortíssima impressão de que tudo aquilo era muito mais que um simples representante do gênero point-and-click. Tivemos ali, aliás, diversos momentos que faziam referência a vários outros gêneros (incluindo FPS). Não é à toa que o título foi GOTY em 2012.

Ficha técnica

Título: The Walking Dead: Season 2 – Ep. 1 – All That Remains

Gênero: Ação /  Aventura / Point-and-click

Desenvolvedora: Telltale Games

Publisher: Telltale Games

Data de lançamento: 17 de Dezembro de 2013

Plataformas: PC, Mac, Xbox 360, Playstation 3, Playstation Vita, iOS

Versão analisada: PC

Mas, e a segunda temporada? Bem, a Telltale continua inovando. Melhorando. Aprimorando personagens, enredo e mecânicas. The Walking Dead: Season 2, pelo que parece, será mais um must have, e seu primeiro episódio, All That Remains, é um petardo. Seu final, aliás, tem aquela pitada de drama que todos nós adoramos.

The Walking Dead: Season 2 - Ep. 1 - All That Remains

Sai Lee Everett e entra Clementine. Uma protagonista fantástica. Uma das garotinhas mais sensacionais que já vi em um jogo eletrônico, um personagem extremamente bem desenvolvido. Uma pequena menina que agora, em All That Remains, começa a evoluir. Bem mais do que durante a primeira temporada, quando estava sob a proteção de seu amigo Lee.

O primeiro episódio já começa deixando Clem em uma situação no mínimo desesperadora, e aí então começamos a entender porque Lee tentou fazer de tudo para protegê-la e, ao mesmo tempo, prepará-la, de certa forma. O cabelo curto, as aulas de tiro, esse tipo de coisa.

Tudo o que resta a Clementine, agora, é o que ela aprendeu. O que ela aprendeu, claro, e o que ela fará com tudo isso. Seu antigo grupo desfeito, sua família morta, seu mundo em ruínas. Sua sobrevivência depende apenas dela, pelo menos em grande parte deste primeiro episódio, e posso dizer que a garota se sai muito, muito bem.

The Walking Dead: Season 2 - Ep. 1 - All That Remains

A Telltale introduziu algumas novidades, vale lembrar. Momentos de ação agora são muito mais dinâmicos e podem levar muita gente ao desespero. Precisamos nos movimentar, para a esquerda ou para a direita, ao mesmo tempo em que tentamos fugir de um zumbi faminto, por exemplo. Precisamos pensar com rapidez, analisar o ambiente (morrendo também, quem sabe, algumas vezes), até encontrarmos o objeto que dará cabo daquele morto-vivo chato à nossa frente.

Como em The Wolf Among Us, temos agora novas opções no que diz respeito à movimentação do personagem em momentos críticos. Direita? Esquerda? Correr? Movimentos rápidos. O jogador pode decidir. Isto fica bem evidente, aliás, após Clementine ser mordida por um cão, no braço (falando nisso, os poucos momentos que Clem viveu ao lado deste cachorro representam um dos pontos altos do episódio – é bem emocionante).

Ela acaba encontrando um grupo que, ao vê-la naquele estado, acredita que ela foi mordida por um zumbi. Que ela está condenada, obviamente. Claro, o pânico é imediato e, apesar dos protestos de Clem, ela é deixada em uma espécie de “quarentena”. A menina está mais madura, agora, e isto pode ser inclusive percebido através das opções de respostas que temos durante os diálogos. Rispidez e até mesmo agressão verbal fazem agora parte de seu “arsenal verbal”.

Este primeiro capítulo gira em torno, basicamente, do encontro da pequena garota com este novo grupo. E nós podemos, aos poucos, tentar imaginar o que acontecerá nos próximos. Podemos, com base no que vemos ali, elaborarmos nossas próprias hipóteses.

A menina, pela primeira vez, se vê sozinha frente à desconfiança, ao medo e à fúria alheios. Agora ela está sozinha, e podemos até dizer que não são só os zumbis que a ameaçam. O próprio início de All That Remains deixa isto bem claro, com a aparição de um personagem desconhecido que acaba desaparecendo da trama bem rapidamente, mas não antes de causar enormes problemas.

The Walking Dead: Season 2 - Ep. 1 - All That Remains

The Walking Dead: Season 2 deixa o jogador muito mais “por dentro” da ação. Somos inseridos de maneira mais direta em tudo aquilo que o personagem principal experimenta. Por exemplo, somos obrigados a buscar material cirúrgico (às escondidas) para suturar o ferimento, cuidado este que nos foi negado pelo tal novo grupo.

Tal negação se deve, porém, a uma medida de segurança: afinal, e se a inocente menina se transformar em um zumbi ao amanhecer? Bem, o “interessante”, aqui, é que toda a movimentação durante a sutura é iniciada pelo jogador. Chega-se a sentir uma pontada no coração.

The Walking Dead: Season 2 - Ep. 1 - All That Remains

Novos ícones aparecem em tela. Nós temos de realizar o movimento para a introdução da agulha em uma das bordas do ferimento; logo em seguida ouvimos o grito lancinante de Clementine. Após uma pequena pausa, nós introduzimos novamente a agulha, ouvimos mais gritos de dor, e assim por diante.

Os ícones em tela indicam os movimentos que devem ser feitos. Não se trata de nada muito rebuscado e/ou difícil, mas tudo isto adiciona uma camada a mais de dramaticidade, emoção e dor à situação. Clementine sofre, e nós sofremos junto. É impossível não nos assustarmos com o que vemos, com o que a menina passa, com sua dor, com suas lágrimas. É impossível não nos entristecermos.

The Walking Dead: Season 2 - Ep. 1 - All That Remains

Percebemos também que muito pouco mudou nos outros seres humanos no que diz respeito à confiança, ao respeito. Clem chega a ser hostilizada por algumas pessoas, apesar de ser (ou parecer) uma garotinha inocente e frágil. Bem, ela sabe atirar, já possuiu uma arma, já matou alguns zumbis, mas este novo grupo ainda não confia nela.

The Walking Dead: Season 2 - Ep. 1 - All That Remains

A pressão durante os diálogos também ajuda a reforçar o clima de tensão. Com um tempo bem curto para escolher uma dentre quatro opções, por exemplo, você pode acabar também reagindo de forma errada, o que, diga-se de passagem, pode também ser comparado a muitas situações da vida real.

Aquele mundo de The Walking Dead: Season 2 continua não sendo nem um pouco seguro, como já era de se esperar. All That Remains prova que a Telltale continua afiada e capaz de nos entregar belíssimas experiências. Clementine continua evoluindo enquanto personagem, e eu fico me perguntando como estará a cabeça desta menina ao final da temporada.

The Walking Dead: Season 2 - Ep. 1 - All That Remains

De “resto”, espere por muitas belezas: gráficos em cel-shading bonitos demais, personagens cujas expressões, muitas vezes, dizem muito mais que as palavras, ótimos cenários e ambientações, trilha e efeitos sonoros de arrepiar, etc.

The Walking Dead: Season 2 – All That Remains é fora de série, e se você jogou a primeira temporada desta franquia, DEVE jogar a segunda. Vá por mim. 🙂

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