Homefront não é um ’71’. Você não pode aplicar matemática à arte“. Esta frase foi dita por Danny Bilson, da THQ, em recente entrevista concedida à IGN, em São Francisco, em sua resposta à pergunta sobre os reviews a respeito de Homefront e as respectivas notas baixas. Vale ressaltar que as notas para o último jogo lançado pela THQ no Metacritic oscilam ao redor deste mesmo número. Em minha opinião, Bilson está certíssimo.

É claro que para muita gente a nota recebida por um filme ou jogo em um review importa bastante. Isto tudo, principalmente se levarmos em consideração o Metacritic, também fornece informações que serão utilizadas por investidores, empresas da área e similares. Designar uma nota para um game é, com certeza, algo válido, mas impreciso. Independentemente de qualquer coisa, um review é escrito por uma pessoa, a qual, espera-se, seja um gamer. Alguém que tenha jogado e analisado a obra como um todo.

Sempre tive este pensamento comigo: um review é a opinião pessoal de alguém. Apenas isto, e nada mais. A quantidade de review negativos ou positivos, aí sim, pode significar algo mais concreto, mesmo que ainda impreciso. Mesmo assim, muita gente pode gostar do trabalho em questão. Foi o que aconteceu com Homefront: apesar de todo o negativismo ao redor do game, o game vendeu mais de 1 milhão de cópias durante a primeira semana, e as expectativas continuam grandes em torno do jogo. Colin Sebastian, aliás, analysta de mercado, estima que até o quarto trimestre deste ano o jogo proporcionará um faturamento de 254,8 milhões de dólares.

Bilson se mostra extremamente otimista em relação a este FPS recém lançado que coloca os Estados Unidos de joelhos sob o jugo de uma grande nação coreana unificada, principalmente pelo fato de que se trata de uma nova IP. Parece que muitos reviews não consideraram este fato, aliás. “Acho que realmente capturamos a imaginação das pessoas com a IP“, diz Bilson durante a entrevista. Ele ainda expressa orgulho em relação a Homefront, orgulho muito mais do que válido.

Homefront trouxe grandes “melhorias”, digamos, ao gênero FPS. Se, de repente, não as encontramos em seu gameplay, as encontramos em seu enredo, o qual foge totalmente dos conflitos reais retratados atualmente nas franquias mais famosas. E olhe que estamos falando de uma nova IP e, possivelmente, de uma nova franquia. Em Homefront não lidamos com a primeira ou a segunda guerra mundial. Não existem operações secretas da CIA. Não vamos lutar no Afeganistão. A luta ocorre “em casa”, é o inverso. O título coloca o jogador, ou melhor, a narrativa mostra tudo com uma perspectiva meio que pessimista, até. “Fomos invadidos”.

O perigo chegou até nossas portas. Temos de nos defender mais do que atacar. Parece que pouca gente prestou atenção no fato de que Homefront nos entrega uma história diferente. E para quem adora a parte gráfica, sim, os gráficos do game são bonitos. Podem não ser tão belos como os de um Call of Duty: Black Ops ou um Crysis 2, por exemplo. Mas eles são bonitos e diferentes, e o jogo é tão diferente dos FPS’s com os quais estamos acostumados, que cheguei a estranhar um pouco o gameplay, no início. Isto não é ótimo, em um cenário onde somos bombardeados constantemente com “coisas velhas dentro de novas embalagens”?

Eu acredito que haverá um Homefront 2. As próprias palavras de Bilson meio que fornecem alguns indícios a este respeito. Ele diz que a empresa “tem um monte de planos para o futuro de Homefront“, e ainda menciona que tais planos são “muito interessantes e únicos“. O chefão da THQ também cita o multiplayer do jogo, um dos elementos mais elogiados nos reviews, e pelo que parece, esta parte do game será melhorada no decorrer do ano.

Acredito totalmente nas palavras de Danny Bilson. Não podemos aplicar matemática à arte. Apesar de serem criados através de frias e exatas máquinas (nem sempre 🙂 ), jogos representam obras de arte. Arte não é algo exato. Um quadro de Picasso pode parecer horrível a determinado grupo de pessoas, enquanto pode deixar outro grupo extasiado. Determinadas músicas e gêneros musicais podem representar verdadeira afronta aos ouvidos de algumas pessoas, enquanto que para outras soam como verdadeira massagem nos tímpanos.

O mesmo se aplica a games e filmes. Não se pode prever nem tampouco ditar o sucesso de um game. Nem tampouco nós, enquanto gamers, devemos deixar de, por exemplo, experimentar a demo de um jogo só porque, lá no Metacritic, ele recebeu uma nota abaixo de 70. Se há interesse e disponibilidade, por que não tentar, pelo menos?

Jogos eletrônicos representam uma das experiências mais interativas atualmente, e este é outro fator que deve ser levado em conta quando lemos reviews sobre games. Eles devem ser encarados como aquilo que realmente são: “a mera opinião de alguém sobre o jogo em questão”.

Não existe “a opinião definitiva”. Não existe o melhor game, o melhor gênero, o melhor console, a melhor plataforma. Existe, isto sim, aquilo que melhor se adapta a você. Aquilo que você gosta. Aquilo que lhe dá prazer. Opiniões alheias não mudam a qualidade ou não de nada.

(Via: IGN)

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