Quando publiquei meu review de Titanfall, ainda não tinha uma noção total a respeito do “monstro” com o qual estava lidando. O FPS da Respawn Entertainment, lançado para PC, Xbox One (em 11 de Março) e Xbox 360 (08 de Abril), tem me prendido bastante.

Não sei dizer ainda se o shooter representa mesmo esta revolução toda que muitos por aí pregam. O que sei é que ele é sólido, divertido, bonito e viciante. Você inicia uma partida e quando se dá conta já está em outra sala de espera, aguardando o início da próxima festança da qual participarão titãs, pilotos, soldados e espectros.

Titanfall

IMC e Milícia, as duas facções rivais, se enfrentam constantemente, mas isto não importa. Mensagens via rádio ou vídeo-conferência passam quase despercebidas pelo jogador. É algo que passa batido, assim como a campanha do game, a qual, lembrando mais uma vez, de singleplayer não tem nada, e apenas serve para desbloquearmos titãs para utilizarmos. Esta tal campanha multiplayer também serve para explicar algumas coisas que vemos no campo de batalha, mas de uma forma bem leve, sem entrar em detalhes.

Isto não é ruim, entretanto. Titanfall brilha justamente onde deveria brilhar. O que temos aqui não é um Battlefield ou quem sabe algum COD mais recente com uma campanha para encher linguiça. Este jogo brilha. Brilha justamente em seu próprio palco, repleto de jogadores oriundos das mais diversas partes do mundo. Nas frenéticas batalhas que ele é capaz de proporcionar. Nos campos para tais batalhas. Na jogabilidade sólida, nos cenários pensados e adequados para o combate entre homem e máquina (ou entre máquina versus máquina).

Titanfall -  SpectroAlguns detalhes também ajudam a fazer deste jogo um must have para quem está em busca de algo fresco. Em busca de algo novo, diferente. Melhor. Como um piloto (assim somos nós chamados e encarados, no multiplayer), podemos hackear torres de defesa, por exemplo, mediante a utilização de um equipamento especial (uma cyber lâmina inclusa em nossos loadouts). Assim que o processo é finalizado, tais torres começam a trabalhar em nosso favor, atirando em qualquer inimigo (titã ou não) que esteja ao alcance (e os pontos são nossos, claro).

Também podemos hackear os espectros, vale lembrar. Espectros são robôs. Robôs que, quando a serviço do inimigo, podem também ser “convertidos”. Com a mesma lâmina especial, podemos invadir seus sistemas. Qualquer outro espectro nas proximidades é também capturado, e assim, podemos formar uma espécie de exército que trabalhará única e exclusivamente para nosso personagem. Mortes causadas por nossas torres ou espectros contam a nosso favor.

E, obviamente, podemos também esperar que os inimigos tentem invadir os sistemas de nossos espectros e torres. Quando isto ocorre, eles mudam de dono, ou seja, passam a representar uma ameaça ao nosso time. A nós mesmos.

Titanfall é cheio deste tipo de coisa. Armadilhas, subterfúgios, meios alternativos e distrações, tudo para que o jogador possa também improvisar no campo de batalha. Cada partida é uma experiência bem interessante, e já cheguei a presenciar mais de 4 jogadores disputando o controle de uma torre de defesa. Disputando de maneira ferrenha, como se tudo o mais não se importasse.

Todos os 15 mapas que fazem parte do título atualmente são grandes. Adequados à movimentação dos robôs gigantes e também dos pilotos. Temos construções de vários tamanhos que, muitas vezes, abrigam pontos de controle (dependendo do modo de jogo). Praticamente não existem limitações no que diz respeito à nossa movimentação, portanto, o perigo pode vir de todos os lados. Manter os olhos sempre abertos e o mini-mapa sempre sob verificação nunca é demais.

Titanfall - Titã OgrePodemos presenciar e/ou protagonizar momentos muito bacanas, neste espetacular jogo de tiro em primeira pessoa. Não é raro recebermos a notícia, no HUD, de que um inimigo foi morto apenas porque chamamos nosso titã. Ele foi esmagado. Ou seja, este pobre infeliz estava na hora errada e no local errado, e nós, bem, nós, então, ganhamos alguns pontos a mais.

Os desafios presentes no jogo nos fornecem XP. Eles também nos fornecem “Cartas de Habilidade”, e elas sempre são muito úteis, além de que o seu uso sempre nos ajuda a ganhar alguns pontos a mais, no final.

Uma carta que chama um titã Ogre automaticamente é algo muito bom. Principalmente quando, talvez, nos encontramos em desvantagem. Ou então uma carta que nos fornece uma arma mais poderosa, quem sabe.

Também conhecidas como “Burn Cards”, dentre elas temos também algumas que fornecem XP em dobro, movimentos e reflexos mais rápidos, sensores aprimorados, e por aí vai. Vale lembrar que cada carta ativa assim permanece até que você morra ou então até que a partida acabe.

Voltando a comentar a respeito dos desafios, temos vários. Matar um determinado número de inimigos com tal arma, jogar X número de horas como piloto, utilizar determinada arma de um titã em especial por algumas horas, etc.

Todos os desafios possuem vários níveis, e vale mencionar que você deve a eles ficar bem atento, pois eles também são importantes e, algumas vezes, pré-requisitos para que o seu piloto evolua, para que ele se regenere, passando, assim, para a 2ª, para a 3ª, para 4ª geração (trata-se do “Prestige”, e já vi alguns jogadores com “Prestige levels” altíssimos – incluindo 10, o máximo). Claro, tudo isto pode ser sempre consultado na tela de estatísticas do seu personagem, não se preocupe.

Este sistema de regeneração é bem semelhante ao de Call of Duty. Para passar de geração, você tem que chegar ao nível 50 e cumprir todos os desafios necessários. A partir daí, é como se começássemos novamente. Perdemos nossas armas, habilidades, kits de perks, etc. Mas ganhamos um chip que indica nossa nova geração, e passamos também a ganhar XP num ritmo bem mais acelerado, o que, é claro, também nos permite readquirir tudo novamente e mais rapidamente.

Titanfall -  Burn CardHabilidades de piloto, habilidades de titãs, vários pacotes com perks para pilotos e para titãs, tipos diversos de explosivos, várias armas primárias, secundárias e anti-titã, modificadores, etc: nosso piloto e nosso titã possuem, além dos ótimos jetpacks (mas não, infelizmente o titã não os possui 😉 ) que permitem que utilizemos todo o potencial vertical dos mapas, um arsenal e tanto.

Posso estar errado, mas não creio que Titanfall seja um jogo adequado para a utilização de rifles de precisão, justamente devido ao fato de tudo nele ter sido construído para dar origem a partidas movimentadíssimas.

A lentidão destas armas (snipers), a necessidade de mirar com cautela e o próprio fato de ficarmos bastante desprotegidos enquanto miramos é um risco e tanto. Claro, percebo que alguns jogam com snipers, mas, particularmente, não é algo para mim.

Gosto de saltar de um prédio a outro. Entrar em edifícios que guardam pontos de controle pelo teto, explodindo vidros e lançando granadas voltaicas como forma de preparar minha entrada.

Gosto de saltar em titãs inimigos, abrir seus “capôs” e disparar uma saraivada de balas que os levará à morte (ou, claro, ser morto caso ele possua as defesas adequadas ou caso algum de seus parceiros me pegue em flagrante).

Gosto de usar a camuflagem, a qual me torna quase invisível aos sistemas óticos dos titãs (desde que eu não utilize o jetpack – os jatos, sabe… o “foguinho” entrega… 😉 ), caminhar entre os gigantes e, vez ou outra, ajudar companheiros titãs a dar cabo de outros gigantes.

Titanfall Smart Pistol MK5Titanfall é extremamente viciante. E os jogadores iniciantes em First Person Shooters poderão se sentir muito mais à vontade nele, principalmente no início. Logo de cara temos a Smart Pistol e sua mira automática: “3 travas, um puxão de gatilho e a morte é lançada”.

Os próprios “soldados NPC” são grandes aliados dos iniciantes. São presas fáceis, assim como os espectros. Ou seja, ninguém fica de fora da festa. E a curva de aprendizado é rápida, e aos poucos você se verá abandonando a pistola inteligente (não que ela não seja boa) e partindo para escolhas mais interessantes e nas quais podem ser instalados vários “utilitários”, como por exemplo, supressores de ruído, miras holográficas, etc. Claro, tudo isto de acordo com o seu progresso.

Na verdade, acredito que Titanfall seja uma junção de muitas coisas bacanas. Não apenas e/ou totalmente uma revolução no gênero. Digamos que Vince Zampella e sua equipe pegaram muitas, muitas boas ideias, e criaram um jogo cheio de elementos que, em separado, podiam até não significarem nada.

Mas que, juntos, fazem toda a diferença do mundo. Afinal, já vimos jetpacks antes. Já vimos combates entre robôs. Já vimos cenários e armas futuristas. Já vimos muitas coisas com as quais Titanfall brinca, ou coisas que ele utiliza.

Titanfall

Mas o bacana, neste jogo, é a maneira como ele nos entrega a diversão. A maneira como os mapas foram desenhados. A forma como podemos realizar escolhas in-game. Podemos trocar de loadout de forma muito mais rápida que em outros shooters, por exemplo.

Podemos abordar cada mapa, cada modo de jogo, cada situação, de várias maneiras. Quer jogar com seu titã, protegido dentro dele (pero no mucho)? Tudo bem. Quer jogar “em dupla”, com seu titã te seguindo, te protegendo e matando por você? Quer colocar seu gigante de aço para proteger determinado ponto? Tudo bem, tudo isto é possível. Quer ficar escondido em um ponto de controle à espera de algum inimigo incauto? Tudo bem, o trabalho em equipe vai às favas, você terá mais chances de morrer do que nunca, mas tudo bem.

A Respawn Entertainment não criou nada novo, tenho certeza. Mas juntou vários e excelentes conceitos e ideias em um único jogo, e lançou no mercado. Titanfall me fez retornar aos títulos única e exclusivamente multiplayer. Ele conseguiu fazer isso comigo. Eu, que até há bem pouco tempo atrás aproveitava apenas “a solidão do singleplayer em detrimento da multidão do multiplayer“. Nada drástico mudou, é claro. Continuo adorando belos enredos, fantásticos títulos solo, etc. Mas, Titanfall me pegou. De surpresa e com força. E eu não estou reclamando, nem um pouco.

Belas palavras do produtor

Pelo que parece, veja bem, estou dizendo “pelo que parece”, a Respawn Entertainment pretende realizar um bom trabalho pós-lançamento em cima de seu shooter. Drew McCoy, produtor de Titanfall, disse ao site Gamespot o seguinte:

Eu não sei se ele está dando lucro. Eu realmente não me importo. Eu me importo de ter trabalhado em um jogo que eu posso sentar e me divertir ao jogá-lo. O fato das pessoas o apreciarem e que ele tenha rendido o suficiente para que nós continuemos apoiando-o como um estúdio, isto para mim é um sucesso. Nós criamos games porque nós os amamos e queremos que outras pessoas os joguem conosco.

Titanfall

Palavras bonitas, realmente, e eu espero que elas tenham sido ditas de maneira sincera. Aliás, ainda segundo o Gamespot, Titanfall deve ter vendido muito bem, e a Electronic Arts já garantiu os direitos para Titanfall 2.

Primeiro pacote de mapas, Expedition, sai em Maio

Veja só. Eu que nunca me preocupei com este tipo de coisa, agora cá estou, aguardando por um DLC que, nada mais é que um pacote de mapas. 😀 O primeiro DLC para Titanfall, Expedition, sai em Maio, e trará 3 mapas: “Runoff”, “Swamplands” e “Wargames”. Em um jogo onde os mapas são importantíssimos, parte fundamental do gameplay, de uma forma realmente interessante e única, permitindo que pilotos e titãs realizem manobras, saltos e estripulias ao combaterem a equipe inimiga, novos mapas certamente são muito bem vindos.

Em um jogo onde cada mapa conta com detalhes e elementos que favorecem ou pioram a situação dependendo do modo de jogo, do estilo do jogador e de sua experiência, além da experiência dos inimigos, novos mapas são algo para se aguardar com ansiedade. Nos novos mapas teremos pântanos e ruínas antigas, vale lembrar.

Conteúdo gratuito

A Respawn Entertainment também informou que novos modos de jogo serão gratuitos. Para todos os jogadores, independentemente da plataforma escolhida. O próprio Vince Zampella foi quem confirmou, em resposta a um fã, no Twitter.

Um grande patch e melhorias no matchmaking

Fiquei bastante feliz com o lançamento do patch de 10 de Abril, o qual, dentre outras melhorias e correções, incluiu um recurso para a criação de partidas privadas, o qual ainda se encontra em fase beta. A desenvolvedora ainda tem um bom caminho pela frente no sentido de melhorar, por exemplo, o matchmaking em seu novo shooter, mas em minha opinião, eles estão se dando muito bem.

Titanfall

Titanfall no Playstation Vita?

Sony disse que queria que a desenvolvedora trabalhasse em uma versão para seu fantástico portátil. Aparentemente, havia até mesmo um projeto para tal, conhecido como R1. Aparentemente, também, quando a Respawn tentou obter mais informações a respeito do então ainda não lançado Playstation 4 (visando lançar o título para esta plataforma, claro), as portas lhe foram fechadas.

Tudo isto foi feito, pelo que parece, antes do acordo de exclusividade com a Microsoft, vale lembrar. E, bem, é claro que agora não veremos mais o jogo no portátil da Sony (mas eu confesso que gostaria de ver algo assim).

Titanfall dentro de Minecraft, ou Ironfall

É claro que esse pessoal extremamente talentoso que cria maravilhas em Minecraft não poderia deixar algo como Titanfall passar em branco. E, assim, surgiu Ironfall. Titanfall dentro de Minecraft, digamos. Mas não pense você que trata-se apenas de uma criação para ser observada, admirada, etc.

É um jogo completo. Existem titãs, e os jogadores podem utilizá-los. Por enquanto, apenas o mapa “Elevação” está disponível, mas os criadores do mod prometem mais, sendo que cada partida pode comportar até 8 jogadores de cada lado.

Veja abaixo o trailer de Ironfall:

Finalizando

E é isso, meus caros. Titanfall é um petardo. Um título multiplayer como há muito tempo eu não via. Viciante, cativante, bonito e digno de ganhar o prêmio de melhor shooter online do ano, seja lá quem quer que seja que realize tal premiação. 🙂

E você? Já jogou? Pretende adquirir, jogar, etc?

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