(A Fila Anda) Tomb Raider (2013)

Tomb Raider

Sinopse: durante uma expedição pelo Pacífico Sul, o navio de pesquisas da arqueóloga Lara Croft e sua equipe choca-se contra uma ilha misteriosa após uma forte tempestade. Encalhados e sem comunicação, Lara precisa salvar seus amigos raptados por uma seita religiosa que habita o lugar e encontrar uma maneira de escapar da ilha.

Ficha técnica

Título: Tomb Raider

Gênero: Ação/Aventura em terceira pessoa

Desenvolvedora: Crystal Dynamics

Publisher: Square Enix

Data de lançamento: 5 de março de 2013

Plataformas: PC, Mac OS X, Xbox 360, Xbox One, PlayStation 3, PlayStation 4

Versão jogada: PC

Preço: R$ 84,99 (Steam, edição básica), R$ 99,99 (Steam, Survival Edition)

A surra que Lara Croft toma ao longo desse jogo, em especial durante os primeiros dez minutos, carrega mais do que manchas de sangue e cortes profundos. O sofrimento precoce que Lara enfrenta no início desse reboot é uma maneira assustadoramente eficiente de desconstruir a imagem da invencível desbravadora de tumbas que protagonizou os últimos nove títulos da franquia. É uma demonstração quase simbólica que nos deixa claro que estamos diante de uma Lara Croft diferente, mais humana, frágil, forçada ao extremo em nome da própria sobrevivência.

Como fã hardcore que cresceu jogando Tomb Raider, fiquei muito feliz em ver o trabalho da Crystal Dynamics no reboot da franquia, lançado no ano passado. Sem abrir mão em nenhum momento da mecânica de ação frenética e puzzles que popularizou a série, Tomb Raider retorna à estaca zero e propõe uma origem diferente para um dos maiores ícones dos video games.

Tomb Raider

O equilíbrio perfeito alcançado entre os elementos característicos da franquia nesse reboot é talvez o maior presente que um fã hardcore poderia pedir. Logo de cara, o jogo assume um forte aspecto de survival horror, ao colocar Lara quase desarmada diante de uma ilha habitada por uma seita sanguinária que remonta ao passado místico do lugar. A evolução da história e a ambientação lembra fortemente Lost – há uma inspiração inegável na série de J. J. Abrams.

À medida que avança para o interior da ilha em busca de seus amigos sequestrados, Lara aprende a sobreviver. Testemunhamos a jovem arqueóloga faminta, obrigada a caçar sua própria refeição, a criar sua primeira arma – um modesto arco e flecha recolhido de ossadas -, e a tirar uma vida pela primeira vez em nome de sua sobrevivência. A evolução do personagem vista aqui é algo que nem mesmo RPGs, em toda a sua complexidade, conseguem demonstrar tão bem.

Tomb Raider

É só durante o último terço da trama que Lara Croft começa a lembrar sua outra versão vista nos demais jogos, mas ainda longe do estereótipo “exército de um homem mulher só”. Pela primeira vez, temos um Tomb Raider open-world, cujas missões são dividas em setores, totalmente exploráveis na ordem que o jogador preferir. Os objetivos são passados e cabe a você encontrar o caminho até eles. Os inimigos são frágeis no início, mas tornam-se melhor equipados e mais numerosos ao longo do jogo. E, como de praxe, há algumas bizarrices sobrenaturais para serem derrotadas.

Minhas maiores – e talvez únicas – reclamações: existem pouquíssimas tumbas a serem exploradas e o número de QTEs ultrapassa o limite saudável. Fora isso, Tomb Raider também é um dos jogos mais tecnicamente bem construídos que eu já vi. Visuais impecáveis, com uma atenção absurda dada aos detalhes, de forma que nenhum cenário pareça o mesmo; e uma jogabilidade intuitiva, simples e extremamente fluída. A edição para PC tira excelente proveito de recursos do DirectX 11 e roda muito bem mesmo em sistemas mais humildes.

Tomb Raider

A Crystal Dynamics fez o que parecia impossível: um reboot total de Tomb Raider capaz de agradar até mesmo os mais conservadores fãs da série. Não me arriscarei a dizer que o Tomb Raider de 2013 seja o melhor título da franquia, mas com certeza chega perto do que seria a maior e melhor aventura de Lara Croft.

Artur Carsten

Catarinense, amante da música eletrônica, estudante de medicina e jogador nas inexistentes horas vagas. Ocasionalmente, escreve artigos e coloca em dia a pilha interminável de jogos comprados em promoção no Steam. Já passou pelo Campo Minado, Continue, Guia do PC, Gemind e Oxygen e-Sports.

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4 Comments

  1. Já eu, afirmo: pra mim, é a melhor coisa com o nome Tomb Raider desde o início dos tempos!

    Adorei o jogo. A história, as cenas cinematográficas, a jogabilidade, o gráfico, trilha sonora e dublagem, enfim tudo me agradou.

    Algumas coisas não ficaram perfeitas, claro: algumas animações são truncadas, creio eu que em nome de uma jogabilidade melhor (esquivas, escaladas e saltos, principalmente); os modelos dos personagens são meio estranhos quando vistos de perto (principalmente depois de jogar um The Last of Us da vida); a parte da favela foi combativa demais, parecia um Max Payne 3!

    Gostei das tumbas, apesar de achar que foram simplificadas. O stealth é muito fluido e natural, o sofrimento de Lara é bastante humano e verossímil, enfim, um jogaço. Terminei-o essa semana e está bem vívido na minha memória.

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    • Então não foi só eu que lembrei de Max Payne 3 na parte da favela hahahah

      Uma das coisas que mais me impressionaram no Tomb Raider foram os gráficos. Tem um nível de detalhes imenso, ao ponto de me forçar a parar em alguns cenários pra ficar observando. Quase nenhuma textura ou modelo reciclado. Realmente, impressionante.

      E concordo que as tumbas, além de poucas, eram muito simplificadas. Nem se compara com a dificuldade dos outros Tomb Raider. Lembro que alguns puzzles levavam quase um hora pra conseguir desvendar, passo a passo. Nesse novo, era quase sempre bem óbvio.

      Mas e aí, Erick, pretende jogar algum Tomb Raider anterior? 😛

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      • Coloquei o Underworld na fila, um dia vou jogar 🙂

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  2. Sem dúvida faz parte dos melhores jogos que eu joguei em 2013. E eu afirmo sim que, pra mim, é o melhor titulo da franquia. Pq? Já comecei jogar vários Tomb Raider. E esse foi o primeiro que eu terminei. Os outros eu sempre acabava deixando de lado por algum motivo qualquer.

    Muito bom mesmo. É um que tenho vontade de jogar de novo. Mas a fila é graaaaaaaaande!!!

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