Há alguns dias, postamos aqui no site uma nota a respeito da venda da THQ, que declarou falência no finalzinho do ano passado. O processo foi questionado pelo governo americano e pelos próprios credores da THQ, que enviaram pedidos de objeção contra a venda da empresa. Agora, para a infelicidade da THQ, tais pedidos foram julgados e aceitos, levando a suspensão completa do processo da venda da produtora para a firma de capital Clearlake Group.

Lembrando: o acordo inicial da venda, firmado durante o pedido de concordata, deixou claro que a THQ teria que ser vendida como um todo, sem repartir seus títulos e estúdios, e sem demitir funcionários. Dessa forma, apenas uma única empresa poderia participar do processo, o que é ruim do ponto de vista financeiro, pois ficaria difícil maximizar os lucros da venda, além de que os bens da THQ não poderiam ir a leilão. Resumindo: o acordo impediu a participação de outras empresas na compra, “monopolizando” todo o processo em favor da Clearlake Group.

Por causa dos pedidos de objeção contra a “monopolização” da venda, os juízes americanos decidiram suspender a compra. A juíza Mary F. Walrath destacou que cerca de 10 outras empresas demonstraram interesse na compra da THQ, entre elas a Electronic Arts e a Warner Bros. Entertainment. “Os títulos individuais da THQ têm um valor substancial”, disse a juíza. Logo, tentar vender a empresa como um todo pode “baixar o valor das propostas”, diminuindo a margem de lucro. Aparentemente, a THQ está tentando sacrificar uma grande margem de lucro da sua venda só para tentar salvar o emprego de seus funcionários e a integridade de seus títulos. Isso é bom para a indústria de jogos, mas é péssimo para os cofres da empresa.

Com o processo suspenso, as regras vão mudar e o acordo inicial estabelecido entre a THQ e a Clearlake não tem mais validade. Segundo um tweet do blog Distressed Debt Investing, que acompanha o caso, “o leilão vai permitir parcelar (“título por título”) os bens da THQ”. Ou seja, seus títulos e estúdios poderão ser comprados separadamente. Ainda segundo o blog, a Electronic Arts, descrita como “potencial compradora”, está participando ativamente do processo e já “realizou visitas” aos estúdios da THQ. Ao que parece, teremos algumas franquias da THQ sendo publicadas ao lado de Battlefield, The Sims, SimCity, Mass Effect, Crysis e por aí vai.

O que falta esclarecer agora é o destino exato de cada uma das propriedades e estúdios da THQ, que incluem Company of Heroes 2, e sua desenvolvedora Relic, Metro: Last Light, e sua dona 4A Games, e South Park: The Stick of Truth. Todos com previsão de lançamento para 2013. Também não há nenhuma palavra quanto a novos títulos, ainda não anunciados oficialmente, como Saints Row 4, Atlas, Evolve e outros nomes divulgados junto com os documentos do pedido de concordata. Será que eles chegarão a ver a luz do dia?

O futuro da THQ já estava bastante incerto antes mesmo da empresa declarar falência. Agora com os novos acordos que permitiram a repartição dos estúdios, a situação piorou. Sem ter mais o domínio de suas propriedades, é muito provável que milhares de pessoas percam seus empregos nos próximos meses. Triste.

Artur Carsten

Catarinense, amante da música eletrônica, estudante de medicina e jogador nas inexistentes horas vagas. Ocasionalmente, escreve artigos e coloca em dia a pilha interminável de jogos comprados em promoção no Steam. Já passou pelo Campo Minado, Continue, Guia do PC, Gemind e Oxygen e-Sports.

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