Venda da THQ enfrenta sérias turbulências e pode ser interrompida

Há pouco mais de duas semanas, a produtora THQ declarou falência e entrou com um pedido de concordata, requisitando proteção do governo norte-americano enquanto a empresa procura por um comprador. Ficou combinado que a firma de capital Clearlake Capital Group deveria concluir a compra da produtora, dona das franquias Metro, Company of Heroes, Darksiders e Saints Row, por 80 milhões de dólares em até 30 dias, assim que o processo fosse aprovado pelo tribunal americano. Até lá, as atividades de desenvolvimento da THQ não sofreriam qualquer alteração.

No caso do processo ser concluído como foi planejado, a THQ continuaria intacta, sem precisar interromper a produção de suas franquias ou demitir funcionários. Infelizmente, segundo informações colhidas pelo blog Distress Debt Investing e pelo site GameIndustry, a venda pode não acontecer como foi planejada, colocando o processo em sério risco de ser interrompido.

O que exatamente aconteceu foi uma série de disputas um pouco complicadas de entender, por se tratarem de tramitações financeiras burocráticas. Mesmo assim, vamos tentar explicar da melhor forma possível, segure firme!

Durante o processo de falência e compra por outra empresa, os chefões da THQ condicionaram a venda da publisher a certos requisitos como, por exemplo, o fato de que a compra deveria ser obrigatoriamente feita pelo tal grupo de capital Clearlake e que a THQ seria mantida intacta, para preservar suas propriedades e o emprego de milhares de funcionários. Isso é algo um pouco contraditório, uma vez que as empresas que entram em falência normalmente são “quebradas” em diversos pedaços que são vendidos a diferentes compradores. No caso da THQ, ocorreu exatamente o oposto: o comprador será apenas uma única empresa e a THQ não será repartida, sendo então vendida como um todo.

O orgão governamental americano responsável por monitorar os pedidos de concordata, o US Trustee, percebeu a irregularidade e entrou com um pedido de objeção contra o processo de venda. Segundo o trâmite, a THQ e a Clearlake fizeram um acordo que acabará colocando a publisher no prejuízo após a compra. O pedido de objeção acusa a THQ e a Clearlake de tentar forçar uma conclusão rápida do processo, para evitar que outras empresas entrem na briga e tentem comprar a produtora também. Na ocasião da venda para outra empresa, senão a Clearlake, a THQ teria que desembolsar uma multa de 2,25 milhões de dólares à firma de capital que originalmente combinou a compra. Isso impede que a THQ seja leiloada (como deveria ter ocorrido, em primeiro lugar) por outros investidores.

Além do US Trustee, os próprios credores da THQ também entraram com um pedido de objeção contra o processo de venda. Eles acusam a atual administração da produtora de estabelecer condições forçadas de compra para tentar manter o emprego de seus funcionários e se livrar das dívidas. Basicamente, eles não concordam com os planos de vender a THQ intacta e querem que ela seja “quebrada” em vários pedaços e só então leiloados a diferentes compradores, para maximizar os lucros dos vendedores, como normalmente ocorre (falamos mais sobre isso nos parágrafos anteriores). Bom para o bolso dos credores, péssimo para as franquias e empregados da THQ.

O tribunal responsável pelo caso ainda vai analisar os pedidos de objeção antes da venda ocorrer. A audiência que deve concluir o processo está marcada para o dia 10 de janeiro. Até lá, é esperado que a THQ já esteja em boas mãos e segura para continuar seus projetos.

Note que toda essa papelada ainda pode causar atrasos. Se o governo do Tio Sam detectar ilegalidades no processo, a Clearlake pode acabar desistindo da compra, colocando a THQ e toda as suas franquias e estúdios à beira do abismo. Caso a empresa não consiga encontrar um novo comprador, é game over.

Artur Carsten

Catarinense, amante da música eletrônica, estudante de medicina e jogador nas inexistentes horas vagas. Ocasionalmente, escreve artigos e coloca em dia a pilha interminável de jogos comprados em promoção no Steam. Já passou pelo Campo Minado, Continue, Guia do PC, Gemind e Oxygen e-Sports.

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