Viagem no tempo: Half-Life 1 Alpha

Há quase 15 anos atrás, mais especificamente em 19 de novembro de 1998, chegava às lojas o primeiro capítulo de uma das franquias mais icônicas da história. A pequena Valve Corporation, montada por dois ex-funcionários da Microsoft, a partir da reunião de modders e amantes de Quake, mal sabia que Half-Life se tornaria o padrão da indústria e um dos precursores do gênero de tiro em primeira pessoa moderno.

Sem dúvida, muitos de nós já curtimos as aventuras do cientista Gordon Freeman tentando impedir uma invasão alienígena após um acidente nos laboratórios da Black Mesa. Mesmo com uma década de idade, o título ainda impressiona. O jogo não apenas inaugurou uma nova geração de shooters, como também introduziu recursos narrativos e visuais inéditos. Recursos esses que permitiram a formação de uma gigantesca base de modificações que deram origem a jogos de grande sucesso atualmente, como Counter-Strike, Team Fortress, Portal e dezenas de outros.

O que poucos sabem, porém, é como Half-Life se parecia mais de um ano antes de chegar às lojas. Muito antes de alcançar sua revolucionária forma final. O usuário MarphitimusBlackimus postou no YouTube um vídeo da versão alpha do clássico, liberada em setembro de 1997. É exibido um nível de “tech demo”, que apresenta as principais e, até então, inéditas funcionalidades audiovisuais do título. É possível ver recursos como iluminação multicromática, animação esquelética, transparência, efeitos de processamento de sinal digital, sequências roteirizadas (Half-Life foi pioneiro na utilização desse recurso), entre vários outros. Certos personagens, como o guarda Barney e alguns monstros e chefões do jogo, também aparecem em suas representações primitivas.

Ver esse vídeo é como encontrar aquele baú velho e empoeirado no sótão da casa da sua avó e encontrar nele um álbum de fotos da infância do seu avô. Mesmo compartilhando semelhanças visuais com a versão final, a versão alpha de Half-Life 1 ainda é bem diferente. Tão bizarra que vários usuários comentaram coisas do tipo “ainda bem que Half-Life não foi lançado dessa forma”, “Half-Life 1 poderia ter sido bem pior”. Obviamente, por ser uma versão inicial de testes, era bem improvável que o jogo chegasse às lojas daquela maneira.

De qualquer forma, é engraçado notar não só como as coisas evoluíram da versão alpha até a versão final, mas como recursos, hoje tido como triviais, eram novidade na época. Iluminação colorida e transparência, por exemplo. São efeitos gráficos extremamente simples e básicos, mas que exigiam um árduo trabalho e um hardware de ponta para reproduzi-los há 15 anos atrás. Isso sem falar no trabalho de animação dos personagens, que ainda se pareciam robôs com movimentos nada naturais. Mas, à época, era o que a indústria tinha de melhor.

Isso tudo foi há 15 anos. Hoje, o que temos de padrão de qualidade técnica inclui o famoso Crysis. É automático: assim que vemos um título de grande qualidade visual, logo comparamos com a ousada franquia da alemã Crytek. Apesar da qualidade questionável de sua narrativa e jogabilidade, é inegável que a sua qualidade visual seja facilmente uma das mais impressionantes da atualidade. Ainda mais quando consideramos o primeiro jogo, ex-PC exclusive, de 2008. Inclusive, foi por causa dele que cunhou-se o termo ‘fotorealista’ no âmbito dos jogos eletrônicos.

Dá pra ver que com a tecnologia atual, já conseguimos imitar a realidade, seja nos videogames, seja nos filmes de animação gráfica. Mas e nos próximos 15 anos? O que vai mudar? Podemos esperar mais um gigantesco salto de tecnologia? Se em cerca de uma década conseguimos evoluir tudo isso, não tenho dúvidas de que o futuro será promissor.

Artur Carsten

Catarinense, amante da música eletrônica, estudante de medicina e jogador nas inexistentes horas vagas. Ocasionalmente, escreve artigos e coloca em dia a pilha interminável de jogos comprados em promoção no Steam. Já passou pelo Campo Minado, Continue, Guia do PC, Gemind e Oxygen e-Sports.

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4 Comments

  1. aguardo o futuro como no filme gamer ou como no jornada nas estrelas, a gente entre eu uma realidade virtual completa e física mesmo, se bem que poderia ser como uma fusão de substitutos com realidade virttual.

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    • @matheus,

      Interessante, né? Me pergunto como deve ter sido a transação para a compra desse alpha, e também o preço…rs

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  2. Half-Life é épico!

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