A Ubisoft realmente conseguiu criar um título fantástico para o encerramento da participação de Ezio na franquia Assassin’s Creed. Ezio deixará a série em grande estilo, é o que tudo indica. Revelations é tão cheio de novidades e elementos interessantes ligados à história da luta entre os Assassinos e os Templários que, mesmo antes da terceira memória o jogador já percebe que o game que tem em mãos é algo extremamente profundo e belíssimo. Um belíssimo trabalho.

Assassin’s Creed: Revelations possui até uma espécie de tower defense embutido. São momentos nos quais Ezio tem o poder de posicionar assassinos responsáveis por determinadas áreas nos topos de telhados, por exemplo, e a partir daí, é capaz até mesmo de posicionar em tais áreas unidades empunhando armas de fogo e arqueiros. O próprio Ezio também participa da ação, sendo capaz de lançar uma carga explosiva em direção aos Templários, além de também ser capaz de posicionar barricadas para dificultar o avanço inimigo. Roubar itens dos inimigos durante um combate, então, é uma experiência bem interessante. Não me lembro se isto era possível nos títulos anteriores da série, mas estou me divertindo em Revelations.

Estou extremamente intrigado pela maneira em que Desmond se encontra, aliás, e fico me perguntando como ele conseguirá sobreviver. Bom, é claro que tudo está em suas mãos, ou melhor, nas mãos de seu ancestral. O encontro de Desmond com o Subject 16 em uma espécie de realidade alternativa criada pelo Animus chega a nos fazer sentir pena do pobre homem, em determinado momento. Ezio, aliás, está cansado. Mas não se trata de um cansaço físico, digamos. Ele está cansado mentalmente. Suas cartas e frases direcionadas à sua irmã Claudia são um tanto quanto melancólicas, e quando o assassino luta, seus inimigos podem morrer através de golpes muitas vezes assustadores e extremamente violentos.

Parece que o sistema de combate de Assassin’s Creed: Revelations nos fornece ainda mais capacidade para desferirmos golpes devastadores, os quais fazem o sangue dos inimigos jorrar como nunca e mostram até mesmo uma grande raiva por parte do protagonista (senti grande desprezo expressado por alguns de seus movimentos, também), talvez em uma demonstração de que se trata da derradeira aventura de Ezio, a aventura que deverá ficar marcada na memória de todos os fãs da franquia e que, entretanto, tenho certeza, não acabará com a turma dos Templários. É como se, no jogo, o próprio Ezio também tivesse consciência disto. É claro que esta é uma hipótese absurda, apenas quis dizer o quão estupendo está o clima do jogo.

A arma/acessório “hookblade” é algo realmente fenomenal. Trata-se de um fantástico novo “brinquedo” doado ao Ezio por Yusuf Tazim, chefe dos Assassinos de Constantinopla. Aliás, a “hookblade” permite “viagens” extremamente rápidas, através de tirolesas. Isto é muito bacana, principalmente devido à possibilidade de matarmos rapidamente algum inimigo, caindo sobre ele com força total.

A “hookblade” facilita as escaladas, as torna mais rápidas e fazem com que quase qualquer prédio seja escalável. Nada daquele treinamento especial fornecido por Rosa e os ladrões de Veneza, em Assassin’s Creed II. Em Revelations é muito mais fácil aprender a lidar com a “hookblade”, e até mesmo sua utilização é extremamente intuitiva. O próprio Yusuf fornece as instruções ao Ezio, e na verdade a “hookblade” se transforma em uma espécie de substituta de uma de suas “hidden blades”. Além disso, caso o jogador faça alguma besteira quando posicionado em um ponto extremamente alto, onde um deslize seria morte certa, devido à queda, existe também a opção de utilizar um mais do que bem vindo pára-quedas. Passear pelas duas metades de Istambul, divididas pelo Haliç, é sempre fantástico, principalmente pelo visual estonteante que podemos observar ao nadar de um extremo ao outro.

A transição entre o dia e a noite transcorre de forma perfeita, e tanto um quanto outro período do dia enchem a cidade de encantos visuais. Meu primeiro contato com os Janízaros, aliás, uma espécie de guarda de elite dos otomanos, foi um pouco traumático. Eu não sabia no momento quem eram aqueles personagens vestidos de maneira estranha, e percebi, durante o combate, que eles eram extremamente habilidosos no manuseio de suas armas. Guerreiros verdadeiramente impiedosos, fortes e cruéis, mas ainda assim representando um desafio verdadeiramente delicioso, onde pequenos deslizes que cometemos muitas vezes no combate contra outros inimigos mais fracos são punidos com grandes doses de sangue. O sangue de Ezio.

Em Assassin’s Creed: Revelations podemos lidar com diversos refúgios dos Assassinos, em Istambul, e aí deixarmos aprendizes. Estes aprendizes podem ser treinados e enviados em missões, e também podem ser utilizados por Ezio em momentos de necessidade, da mesma forma que em Assassin’s Creed: Brotherhood. E, vez ou outra, os Assassinos também têm de defender suas “bases” de ataques inimigos, o que torna o gameplay mais interessante e diversificado ainda, pois além das missões primárias e secundárias ainda temos de viver com o fantasma de ataques inimigos a nossos refúgios.

Ezio começa a prestar grande ajuda a Yusuf, e os belos gráficos do game tornam a experiência verdadeiramente inesquecível. Já passei inclusive por um momento que pode ser considerado como uma variação das ações que realizávamos nas Torres dos Borgia, em Assassin’s Creed: Brotherhood, e em Revelations é possível até mesmo criarmos os mais diversos tipos de bombas, desde que tenhamos os ingredientes necessários. Vendedores não faltam, é claro, e existe até mesmo um mercado negro nas ruas da cidade.

Existem também bancadas espalhadas pela cidade justamente para isto: para criarmos nossas bombas, as quais podem ser simples bombas de fumaça ou verdadeiras granadas de fragmentação. Agora temos muito mais opções durante um combate, e utilizar tudo isto com eficiência chega a ser um tanto quanto complicado, algumas vezes, dependendo da quantidade de inimigos no momento e de como está a saúde de seu personagem. Lembre-se: visitas ao médico e compras de poções de restauração continuam sendo obrigatórias, assim como visitas ao ferreiro.

Também continua sendo possível restaurarmos a cidade e obtermos lucros. O dinheiro deve ser sempre retirado nos bancos. Ainda é cedo para afirmar, é claro, mas é bem provável que, pelo menos para mim, Assassin’s Creed: Revelations seja o melhor título da franquia até agora, apesar do término da “era Ezio”. O jogador, em Revelations, tem de tomar cuidado também com suas ações. Atraia muita atenção e os templários atacarão um de seus esconderijos, ou até mesmo enviarão um personagem bem característico que tentará assassinar o Ezio em plena rua. Este assassino age de forma bem rápida, aliás.

Assassin’s Creed: Revelations é um jogo, além disso, também repleto de referências históricas, e suas legendas estão totalmente traduzidas para o português do Brasil. Gravei um vídeo de gameplay no qual perambulo sem destino pela cidade, provocando brigas com os guardas, saltando de um prédio ao outro, etc. Na verdade gravei este vídeo sem maiores pretensões, mesmo. Gravei-o só para mostrar a vocês (ou a quem ainda não jogou o game, por exemplo), como o título é belo e interessante.

Abaixo segue o vídeo. Espero que gostem:

Link para o vídeo em 720p:

http://www.youtube.com/watch?v=g1BSrpQuNfE&hd=1

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