Quem me conhece sabe que eu estou (bem, estava) bem ansioso em relação a Watch Dogs. Estava no hype, como dizem. Não via a hora do jogo ser lançado. E o título de mundo aberto da Ubisoft finalmente foi lançado, ontem, 27 de Maio de 2014, para consoles e PC.

Devo adiantar que, ao menos para mim, o jogo está lindíssimo, se bem que ainda acredito que algo bem mais bonito pudesse nos ter sido entregue. Muitos jogadores podem se sentir bastante incomodados com as divergências gráficas existentes entre a versão apresentada durante a E3 2012 e a versão que temos hoje em mãos, claro.

Next-gen ou não?

Eu, porém, não me preocupei tanto com isto, primeiro porque adorei o que vi (jogando no PC, com quase todas as configurações no máximo), segundo porque enxergo este tipo de avanço e muitas outras coisas que podem estar nos pensamentos de quem está olhando para o jogo com “olhos next-gen” como relativismos.

Watch Dogs

O que seria, afinal de contas, next-gen? Se pararmos para pensar no PC, apenas, como uma plataforma única, isolada, tal termo deixa até mesmo de fazer sentido. Realizamos upgrades. Trocamos o hardware. Uma nova GPU, quem sabe mais memória, etc. E, muitas vezes, a mesma máquina que roda o jogo X agora, com suas novas peças, também o rodava antes, com as peças antigas, com a placa de vídeo antiga. Sim, com os devidos ajustes, claro, com gráficos inferiores, etc. Mas o tal jogo rodava, antes do upgrade.

Já isto não se aplica a consoles. A cada geração temos novas máquinas. Novos brinquedos. Novos hardwares. Novos consoles que, quase sempre, não são retrocompatíveis. Então, se considerarmos um jogo como Watch Dogs, lançado para Xbox One, Xbox 360, Playstation 3, Playstation 4 e PC, ou seja, consoles da antiga e da nova/atual (next?) geração, temos de ir com cuidado. Ele é ou não é next-gen? Ou, de outra maneira, ele pode ser e também não pode?

O Xbox 360 jamais conseguirá atingir a mesma qualidade gráfica de seu irmão mais velho, obviamente. O nível de detalhamento certamente é inferior, também, se formos comparar as versões do novo sandbox para PS4 e PS3, respectivamente.

E à parte disto tudo reside o PC, com ajustes, configurações, opções e filtros gráficos avançados. Com certa subjetividade pode-se dizer que no PC um mesmo jogo pode ser next-gen em um equipamento/configuração e não next-gen em outro.

Watch Dogs

Mas estamos lidando com subjetividades. E as linhas tênues que definem o termo next-gen são fracas. E, além disso, também temos de levar em consideração o fato de que um jogo eletrônico não é composto apenas de gráficos. Não são apenas gráficos maravilhosos que farão de um jogo uma obra prima. Mecânicas, enredo, jogabilidade e mais uma série de fatores têm de ser levados em consideração.

Quem esperava por um Watch Dogs revolucionário, por um jogo next-gen, tem de entender que o jogo será “melhor” ou “pior” dependendo da plataforma em questão, principalmente devido às diferenças entre elas (no caso dos consoles). Já no caso do PC, é melhor esquecer a tal da next-gen e levar em consideração “apenas” a configuração da máquina (processador, RAM, placa de vídeo, etc).

O mesmo pode ser dito em relação a Titanfall. Lançado para Xbox 360, Xbox One e PC, ou seja, exclusivo de sistemas Microsoft, o título da Respawn Entertainment também foi um “vendedor de consoles next-gen” (no caso, o Xbox One), apesar de também ter sido lançado para computadores e Xbox 360.

Departamentos de marketing criam rótulos, marcas, frases de efeito, campanhas e uma miríade de atrativos para fazer com que o cliente, neste caso, o jogador, pense que “aquela tal experiência” só poderá ser obtida através de um novo aparelho. Eles só não dizem, muitas vezes, que ela poderá ser obtida da melhor maneira neste tal aparelho, mas que em outros ela poderá ser também apreciada, com ressalvas e limitações.

Watch Dogs

Titanfall, por exemplo, é fantástico no PC, assim como deve ser no XONE e no 360. É o mesmo jogo, guardadas as devidas proporções e diferenças. No PC, aliás, certamente ele pode ser melhor apreciado e ficar muito mais bonito. Jogadores no PC podem obter gráficos melhores, desde que a configuração seja adequada.

Desde que o usuário possua, talvez, uma GPU high-end, por exemplo, em sua configuração (sem falar em outros elementos que fazem parte de um PC parrudo para games, claro). E Titanfall nem é um jogo pesado, veja bem.

Watch Dogs

Mas tudo isto é relativo, e a evolução, a passagem de uma geração (de consoles) para outra, não necessariamente tem de ser algo dotado de ares impressionantes, com o mercado cheio de jogos inovadores, para os quais olhamos e pensamos: “- é, nunca vi algo assim”).

Isto não é uma regra, e em muitos casos, falando a respeito dos consoles, demora um certo tempo até que desenvolvedores consigam deles extrair o máximo, ou algo perto disso (veja GTA V, por exemplo). E nem vamos falar a respeito de “nivelamentos por baixo”, por exemplo, algo que geralmente ocorre na indústria de jogos eletrônicos, quando vemos as limitações técnicas dos consoles ditar as regras no tocante à qualidade dos jogos no PC. Nem tampouco de upscaling, downscaling, diferenças entre resoluções em várias plataformas, etc.

Falando por mim, eu não trocaria a oportunidade de jogar Watch Dogs no PC pela de jogá-lo no Xbox One ou no PS4. Para mim, ele é inovador em alguns sentidos e momentos e em outros não. Mas nem por isso eu creio estar sendo “prejudicado” ao jogá-lo em um computador ao invés de no Xbox One.

E quem optar por um destes novos consoles estará fazendo sua escolha, a qual pode e deve ser motivada por motivos os mais diversos, inclusive de ordem pessoal, e nada mais. Next-gen? Termo meio sem sentido.

O maravilhoso, hackeável e viciante mundo de Watch Dogs

Voltando a Watch Dogs, eu estava extremamente ansioso por seu lançamento. Apesar de não ter visto toda aquela maravilha da E3 em meu monitor, não posso dizer que o jogo é feio. Muito pelo contrário. Muito mesmo. Ele é belíssimo, e mesmo eu tendo ficado decepcionado em ver que o que temos em mãos não atingiu o esplendor divulgado pela Ubisoft em 2012, ainda assim consigo admirá-lo. Muito.

Pensar nele como um “GTA com hackers” é simplificar bastante a coisa. O game conta com muitas novidades, com diversas inovações. Seu modo multiplayer totalmente integrado ao singleplayer é algo realmente surpreendente. No vídeo abaixo você pode conferir uma exibição relacionada. É simplesmente fantástico:

Eu ainda estou tentando entender como funciona direito esta questão de invadir outros jogadores, ou ser invadido. Quero dizer, como obter acesso ao recurso. Até agora não fui capaz de fazer nem um nem outro, mas penso que pode ser por não ter avançado o suficiente na campanha principal, ainda. É, o jogo conta com muitas, muitas distrações, e minhas quase 6 horas de gameplay foram gastas em grande parte com passeios, sidequests, fugas da polícia, brincadeiras (com as devidas recompensas) com o profiler, etc.

Mas as invasões, pelo que se lê por aí, são realmente algo digno de nota. Algo que pode acontecer enquanto o jogador está no meio de uma missão, até. Invade-se alguém e este alguém foge e tenta se defender com as armas que tem em mãos, sejam elas letais ou não. O multiplayer se mistura com o singleplayer, no mesmo mundo, ao lado de outros NPCs e jogadores reais.

Watch Dogs

Watch  Dogs nos apresenta a um mundo extremamente conectado. Hackear câmeras de vigilância e “percorrer os circuitos” de câmera em câmera, observando transeuntes, criminosos e, quem sabe, outros hackers, é uma experiência e tanto. A cidade também é “hackeável”, digamos. E tudo é realizado de uma maneira extremamente simples, através dos prompts em tela e da utilização do smartphone do protagonista.

Na verdade, basicamente um único botão é utilizado para hacking, e isto torna tudo bastante dinâmico, ao nos permitir utilizar as habilidades relacionadas enquanto dirigimos, por exemplo. Ao permitir que utilizemos elementos do ambiente à nossa volta de maneira extremamente fácil e rápida.

Cansei (não, não cansei não) de provocar acidentes de trânsito ao hackear semáforos. Durante fugas, também já perdi a conta de quantas vezes levantei barreiras no meio do asfalto para tentar conter a fúria da polícia em meu encalço. Apesar de não tão viva e cheia de gente quanto a Los Santos de GTA V, a Chicago que temos à nossa disposição, aqui, também é encantadora. Também está repleta de vida, de fantástica vida criada com infinitas linhas de código.

Watch Dogs

Praticamente temos tudo em nossas mãos. Caminhando pelas ruas podemos utilizar o “profiler” e obter informações detalhadas a respeito dos NPCs. O nível de informação que obtemos com o profiler ligado chega a assustar, em alguns momentos, e quando isto acontece, é sempre bom desligá-lo.

Podemos saber se os cidadãos são viciados em alguma droga, se estão em algum programa de reabilitação, se devem ao governo, se são criminosos. Podemos descobrir seus nomes, podemos descobrir brechas. E podemos hackeá-los, claro, operação esta que pode resultar em dinheiro, novos carros, novas armas…

Watch Dogs

O novo jogo da Ubisoft conta também com boas doses de fugas, perseguições, tiros e invasões, tudo isto extremamente aprimorado com tecnologia de ponta. É muito bacana o fato de cada NPC possuir sua própria história, assim como a possibilidade de “pescarmos” pedaços destas histórias simplesmente hackeando seus smartphones. As possibilidades, neste jogo, são imensas, e eu mal comecei.

Temos contratos à nossa disposição, constantemente somos avisados a respeito de possíveis crimes em andamento e, se assim desejarmos, podemos ir até o local e tomar as devidas providências. Impedido o crime, ganhamos uma recompensa, a qual é maior, vale ressaltar, caso o criminoso não seja morto.

Temos aqui uma enorme quantidade de motivos para explorar, e já vi por aí que hackeando câmeras e seguindo os tais fluxos, indo de câmera a câmera, podemos atingir o interior de edifícios e, bem, invadir a privacidade alheia. O protagonista, Aiden Pearce, é uma espécie de justiceiro que, entretanto, não hesita em surrupiar alguns trocados de contas alheias nem tampouco em matar algum inocente. Aiden pode matar até mesmo por acidente, e, acredite em mim, você irá atropelar alguém, em algum momento).

Aiden também é um hacker bastante habilidoso, e o jogo conta com algumas atividades através das quais temos de hackear torres da organização ctOS para liberar o sinal em determinadas áreas, permitir o acesso aos smartphones dos NPCs e desbloquear novas missões e elementos no mapa. Ao me deparar com estas atividades, foi impossível não lembrar de Assassin’s Creed.

Watch Dogs

Aiden é irlandês. Um cara que perdeu alguém muito querido, e está em busca de vingança, também. Ele possui um passado criminoso, vale lembrar. Clichês, pode ser, mas que em nada desmerecem o conjunto. O personagem principal pode ter a cidade em suas mãos. Provocar blecautes para escapar em segurança da polícia, causar explosões em transformadores, invadir servidores.

Ele também pode usar armas de fogo as mais diversas (existem inúmeras lojas de armas na cidade), mas ninguém pode negar o charme de agir à partir de uma simples câmera de monitoramento, por exemplo. De causar mortes atraindo inimigos e causando um curto-circuito em um determinado dispositivo tão logo eles se aproximem (ou pequenas explosões).

Como em uma espécie de RPG, o protagonista conta com uma árvore de habilidades e pode ser evoluído. Podemos melhorar suas habilidades conforme nosso estilo de jogo, e existe inclusive uma habilidade bastante semelhante ao Bullet Time de Max Payne.

Como estamos em um mundo conectado, também existe algo similar a um Foursquare. Podemos realizar check-in em diversos locais de Chicago. Podemos transformar esta atividade em nosso objetivo principal, vez ou outra, e ainda por cima sermos brindados com fantásticos cenários durante o caminho.

Ao chegarmos nos locais de check-in, podemos inclusive deixar presentes (dinheiro, munição, etc) para outros jogadores que por ali passarem em seguida (ou podemos fazer com que os presentes só possam ser resgatados por nossos amigos). Também podemos resgatar presentes deixados por outros jogadores em tais lugares, é claro. E, sim, o smartphone de Aiden conta com muitos recursos bacanas.

Hackear o celular de alguém nas ruas, ouvir sua conversa e ficar sabendo da localização de algo muito valioso (que podemos coletar em seguida)? Fácil. Ouvir uma outra conversa, da mesma maneira, descobrir através dela que um crime está prestes a ser cometido (ou sendo encomendad0), e impedi-lo? Fácil, também.

Watch Dogs

É muito bacana a maneira como os NPCs, as pessoas nas ruas, reagem às nossas ações. Se sacarmos nossa arma um certo pânico pode ser iniciado, e ele aumentará conforme o número de pessoas à volta, nossa velocidade e a direção que tomamos.

Como em todo jogo de mundo aberto, adoro passear. E como em todo jogo de mundo aberto ambientado em cidades, adoro passear de carro. Carros os mais diversos estão disponíveis em Watch Dogs, e também podemos, claro, roubar qualquer um nas ruas.

Confesso que achei a dirigibilidade um pouco difícil. É um pouco complicado controlar os carros, e isto pode fazer com que você acabe morrendo ou sendo preso, durante as fugas. Carros potentes, então, são realmente um perigo, e domá-los ainda é algo que não consegui (bem, ainda sou barbeiro com todos 😉 ).

Watch Dogs

Ainda me lembro de como fiquei embasbacado com a chuva em Sleeping Dogs. E a Ubisoft também me surpreendeu: como são belas as chuvas em WD. Como é belo o anoitecer. Como a fumaça que escapa de bueiros e becos parece realista. Como o asfalto brilha fantasticamente. O clima dinâmico também é outro grande destaque, assim como a vegetação. Observar folhas escapando das árvores e caindo ao sabor do vento é muito legal.

Mas o que realmente impressiona, ou melhor, o que mais impressiona, no game, é a altíssima interatividade. De quase tudo. De pessoas a máquinas, passando por máquinas de refrigerantes, sinalização de tráfego, câmeras,  etc. A jogabilidade também é boa, e o sistema de cobertura é excelente (mesmo que eu tenha feito de tudo, até agora, para evitar tiroteios).

Escrevi a respeito daquilo que vi até agora no jogo, e mesmo que ele não tenha correspondido totalmente às minhas expectativas no tocante aos gráficos, ainda assim ele é um dos mais belos da “atual geração”. Um dos mais lindos jogos de mundo aberto que já tive o prazer de experimentar. Passear por sua Chicago viva e pulsante é uma experiência e tanto, seja de carro, de moto ou até mesmo de barco.

Problemas no dia do lançamento

Infelizmente, entretanto, tivemos alguns problemas no dia do lançamento. Ontem o uPlay passou por problemas, problemas estes que impediram logins. Aparentemente, como já de praxe, a desenvolvedora não havia se preparado para o lançamento, e o resultado todos puderam observar: jogadores reclamando (com razão) e sem jogar. Ainda não entendo o porquê desta teimosia em enfiar DRM em cima de DRM. De clientes que nada acrescentam, principalmente quando sabemos que o Steam tem tudo o que precisamos.

uPlay dentro do Steam, etc, etc. Para que? Apenas para que os pagantes sofram e os “alternativos” não? Pode não ser esta a intenção da desenvolvedora, mas é o que ocorre, infelizmente, nestes lançamentos conturbados. Diz-se que apenas uma autenticação é necessária, mas, para isto, é necessário abrir o uplay e o jogo, pelo menos uma vez. Com servidores fora do ar, como se faz? É, a resposta você já sabe: não se faz. Não se joga.

Bertrand Chaverot, diretor da Ubisoft no Brasil e na América Latina, disse ontem o seguinte:

A temática de Watch_Dogs é fantástica e reúne tudo que as pessoas procuravam em um jogo de ação tradicional. Além disso, inova ao falar de privacidade, segurança da informação, conectividade, hacking e outros temas tão atuais. Em uma cidade inteligente e conectada como a Chicago de Watch_Dogs, quanto mais poder se tem, mais riscos se corre. Estamos muito felizes por lançar no mercado brasileiro um jogo tão grandioso no mesmo dia do lançamento mundial e  100% em português. Torcemos para que o público do Brasil se divirta bastante com Watch_Dogs“.

Uma grande ironia do destino, não? Conectividade? Faltou, em diversos momentos, ontem. Hacking? Chegou-se a comentar, internet afora: teria a vida imitado a arte, ou vice-versa? Bem, parece que não foi este o caso. Mas a Chicago do game é, realmente, inteligente. Bonita. Vibrante. Sim, este é um grande jogo.

O game também conta com legendas e áudio em português do Brasil. Mas, apesar de eu apreciar o esforço na localização, ainda prefiro o áudio original, em inglês. Não creio que a dublagem esteja em um nível ideal, ainda (mas esta é a minha opinião 😉 ).

Companion app

E ainda existe uma companion app (já baixei, mas não usei). Segundo dizem, ela é muito bacana e fornece bastante interatividade. Vamos ver.

E você? Já está passeando pela Chicago deste jogo sensacional?

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