Watch Dogs

Uma boa parte das mais de 90 horas que acumulei até agora em Watch Dogs foram gastas em seu multiplayer. Ainda não saí do ato II da campanha, e tenho jogado também uma série de side-quests, atividades extras e mini-games, incluindo também as ótimas Digital Trips (viagens digitais).

Jogando o multiplayer do novo jogo de mundo aberto da Ubisoft, fico cada vez mais impressionado com ele. Trata-se, realmente, de algo único. Jogadores diferentes, com diferentes expectativas e modos de jogar, podem encontrar oportunidades e diversões as mais diversas em qualquer um dos 6 modos multiplayer de Watch Dogs:

  • Hackeamento Online (Online Hacking);
  • Decodificação Online (Online Decryption);
  • Vagar Livremente Online (Free Roam);
  • Perseguição Online (Online Tailing);
  • Corrida Online (Online Racing);
  • Desafio ctOS Mobile (ctOS Mobile Challenge);

Já escrevi a respeito de cada um dos modos acima, os quais são bem interessantes, mas devo dizer novamente que meus preferidos são “Hackeamento Online” e “Perseguição Online”. Jogo e gosto muito mais, aliás, do “Hackeamento Online”, modo de jogo onde temos de buscar um alvo, perfilá-lo, instalar um hack em seu smartphone e então realizar o download de seus dados. Temos de roubar seus dados. E não consigo parar de jogar este modo. Ele é viciante. Envolvente. Realmente muito bom. E ele também é perigoso: para sua vida social. 😉

Watch Dogs

O que a princípio parece simples, acaba se revelando uma espécie de jogo de gato e rato tecnológico, com espaço para ação furtiva, fugas espetaculares, tiroteios e caos. E é claro que, da mesma forma que você abre seu smartphone para solicitar um alvo para hackeamento, outros jogadores fazem o mesmo, e o alvo, então, pode ser você.

Um jogador de Watch Dogs pode ser invadido a qualquer momento, menos enquanto está no meio de alguma missão ou atividade. Para solicitar um alvo, basta que estejamos perambulando, à esmo, digamos. Após a solicitação e enquanto aguardamos que o jogo nos coloque no mundo de nossa possível vítima, podemos continuar hackeando cidadãos em busca de dinheiro, passeando de carro ou moto, etc.

Sei que Dark Souls possui um recurso semelhante, e jogadores podem invadir jogos de outras pessoas. Um dos grandes diferenciais no título da Ubisoft, entretanto, é o fato da “luta” ter de ocorrer entre as sombras (falando aqui do “hackeamento online”). A ansiedade sempre é enorme, durante tais partidas multiplayer. E eu sei o quão desesperador é ser invadido, pois já estive deste lado inúmeras vezes, também. Sei também o quão prazeroso é encontrar o hacker que está tentando “nos ferrar” e acabar com ele.

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O viciante e divertido “Hackeamento Online” em Watch Dogs

O multiplayer de Watch Dogs é realmente sensacional, e irei me ater, em grande parte deste texto, ao modo “Hackeamento Online”. É você contra um oponente, apenas. Você invadiu o mundo dele, enquanto ele estava, talvez, realizando algo sem muita importância. Ou, quem sabe, enquanto ele estava prestes a iniciar uma missão da campanha principal (isto já ocorreu comigo, diversas vezes, e tive de encontrar o invasor ou amargar uma derrota antes de poder iniciar a tal missão).

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Um hackeamento online que terminou mal

Durante nossos ataques, vale tudo: apagões para dificultar a visão do inimigo, causar acidentes em cruzamentos simplesmente hackeando os semáforos, mudar de veículo, dirigir de um ponto a outro com cautela, utilizar a escuridão de becos em benefício próprio, causar explosões em tubulações de gás para encobrir nossos rastros, e muitas coisas mais.

Existe um tempo limite (cerca de quatro minutos) para que o inimigo seja perfilado, logo após entrarmos em seu mundo. Existe também um tempo limite para que o hack seja instalado, após a identificação do alvo (cerca de 30-40 segundos). Perder estes prazos significa ser derrotado. Significa perder a chance de ganhar mais pontos de notoriedade e, dependendo da situação, ver sua quantidade de pontos ser reduzida.

Caso o alvo perceba sua presença dentro destes quatro minutos, ele pode simplesmente fugir de seu alcance, utilizando um veículo veloz, por exemplo. Temos, então, de correr atrás dele, a fim de utilizar o perfilador e, então, instalarmos o hack. De nada adianta, porém, perfilarmos o “inimigo” e não instalarmos o hack.

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Se conseguirmos realizar estes dois procedimentos, aí então o download dos dados começa, e aí começa a parte mais instigante, divertida e perigosa da brincadeira. Tanto o invasor quanto o hacker visualizam o percentual de download em tela. Tanto um quanto o outro podem utilizar suas “armas tecnológicas”: apagões, JamCom (causa a interrupção do download por alguns segundos, se utilizado pela vítima), triangulação ctOS (para determinar posições), etc.

O objetivo do hackeado, claro, é localizar o invasor. Quando isto acontece, o hacker tem de fugir, pois uma nova meta é imposta àquele que antes era a vítima: assassinar seu inimigo. O objetivo do hacker, claro, é baixar todos os dados, conseguir fazer com que o percentual chegue aos 100%.

Tudo isto pode envolver uma série de artimanhas, recursos e dificuldades. Vou citar algumas experiências pelas quais passei para tentar explicar melhor. Vale também ressaltar que algumas destas partidas multiplayer podem nos presentear com situações bastante hilárias.

O ladrão trapalhão na loja de armas, o hacker abduzido pelo trem, e outras histórias

Certa vez estava eu em uma loja de armas, reabastecendo a munição e conferindo as armas à venda. De repente, um apagão é iniciado, e eu sei que não fui eu. NPCs também não causam apagões. Então, já fiquei bem alerta, pois alguém, um jogador real, estava ali por perto, talvez para me invadir ou para me observar (Perseguição Online).

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E, bem, fica aqui uma dica: quando estiver perseguindo alguém no modo online, seja para hackear ou para vigiar, não cometa o erro de provocar situações que nenhum NPC pode provocar, como no caso deste apagão acima mencionado. Não utilize motos (NPCs em Watch Dogs não as usam) e não realize disparos a esmo, também. Evite realizar qualquer ação que chame a atenção de sua vítima para você, qualquer ação que faça com que ele perceba que você não é um NPC.

Voltando à tal situação, ainda dentro da loja de armas, uma mensagem apareceu em tela, mencionando que a loja havia acabado de ser roubada. Ali, naquele momento, enquanto eu estava perto do caixa. E eu sei que NPC algum rouba lojas. Juntado os dois “incidentes”, percebi logo que havia alguém, ali. Um jogador, real, sabe-se lá de qual parte do mundo. Bastou então ligar meu perfilador para identificar o “pilantra” rapidamente: o que fiz, então, foi sacar minha shotgun e dar cabo do infeliz. 😉

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Outra situação bastante interessante (e cômica) aconteceu comigo há alguns dias atrás. Realizei todo o processo de busca por um alvo, perfilei o dito cujo e iniciei a instalação do hack. O download foi iniciado. Permaneci escondido durante alguns segundos dentro de um carro, logo após iniciar um apagão. Ao ver que o outro jogador havia se dirigido para trás de uma construção, saí do carro e subi as escadas de uma estação de trem próxima. Ali, permaneci escondido em um canto.

Iniciei outro apagão, pouco depois, e quando o download se encontrava perto dos 90%, o “inimigo” subiu as escadas da estação em que eu me encontrava e permaneceu na plataforma, perfilando quem estava por ali (NPCs). Bem, o trem chegou, e abriu as portas. Ele cometeu o gravíssimo erro de entrar, e eu então hackeei o trem. Este fechou as portas e saiu, e nisto o download atingiu 100%. Eu não sei o que aconteceu com minha vítima, se ele ficou muito nervoso, ou para onde ele foi. Foi divertido ao extremo, além de muito diferente.

Já aconteceu também do matchmaking do jogo escolher alvos que estavam sendo perseguidos pela polícia: nestes casos, claro, nosso trabalho é muito mais fácil, pois o alvo tem de lidar com duas situações diferentes ao mesmo tempo, e a polícia em Watch Dogs é implacável. Também já fui invadido enquanto estava sendo perseguido pela polícia, obviamente, então, sei que é bastante desesperador.

Este “invadir”, em Watch Dogs, é algo realmente diferente. Invadimos o jogo de outra pessoa e temos de permanecer invisíveis e roubá-lo. Furtividade é essencial, aqui. Podemos até mesmo realizar todo o processo enquanto estamos escondidos em algum local seguro, utilizando apenas alguma rede de câmeras de segurança que porventura exista na área.

Invadir o mundo de outro jogador é algo extremamente instigante. É viciante. Perdi a conta de quanto tempo passei perambulando pelas ruas da Chicago de Watch Dogs aguardando para que o jogo me desse um alvo. Vale também lembrar que quando somos descobertos, dependendo da situação, nem tudo está perdido.

Podemos tentar fugir, e sermos bem sucedidos ou não. Mas a própria fuga em si é também muito divertida. É adrenalina pura. Vítima e atacante mudam de lado, digamos, e ambos podem utilizar o sistema da ctOS em benefício próprio. Fugindo ou perseguindo, nestes casos, podemos hackear semáforos, elevar pontes, explodir tubulações de gás, etc.

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Algumas destas fugas em que me meti, resultados de hackeamentos não muito bem sucedidos, duraram alguns bons minutos. Cheguei, em algumas delas, a ter de trocar de carro, seja devido a alguma batida que inutilizou o veículo, seja devido a algum disparo do perseguidor ter inutilizado o motor do carro ou, por exemplo, ter estourado seus pneus. Podemos também tentar escapar utilizando as águas, através de barcos e lanchas.

Em algumas situações, você pode também receber o aviso de que alguém está tentando te invadir. Se o invasor ainda não perfilou você, é possível fugir. Utilizando um veículo rápido ou uma moto, por exemplo, fuja do círculo roxo que aparece no mapa. Você perceberá que este círculo se movimenta, o que representa, claro, a movimentação do outro jogador. Fuja pelo tempo suficiente, não deixe que ele sequer perfile você, e ele perderá a rodada. Em uma destas situações, porém, resolvi enfrentar o invasor.

Em uma das grandes avenidas, parei o carro, saquei um lançador de granadas e fiquei aguardando. O círculo roxo se aproximava pouco a pouco, e dentro de algum tempo percebi quem era o inimigo, ou melhor, qual era seu carro. Eu estava longe demais para perfilá-lo, mas comecei a disparar granadas em sua direção, o que fez com que ele recuasse.

Entrei no carro e corri em sua direção. Tentei chegar o mais perto possível, desci do carro novamente e recomecei os disparos. Mas não foi suficiente. O tempo certamente se esgotou para ele, e a partida acabou. Pelo menos eu não perdi nada, e me diverti bastante.

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É bastante interessante, também, tentar determinar a posição em que um possível invasor se encontra lançando o caos em meio às ruas. Disparando granadas, quem sabe, contra paredes, tentando forçá-lo a sair de sua zona confortável e buscar abrigo em outro local. Existe uma área delimitada, dentro da qual o hacker deve permanecer para poder baixar os dados, e assim que ele sai, o download é interrompido. Podemos pegar alguns invasores desta forma, principalmente os mais afobados.

A cidade também conta com locais fantásticos para sessões de online hacking. Locais próximos a prédios com mais de um andar e/ou a túneis. Alternar entre os diversos andares e o subterrâneo, por exemplo, é uma ótima forma de confundir a vítima e, assim, alcançar a vitória, obtendo 100% dos dados.

Existem situações em que somos inseridos no mundo do outro jogador em posições nada favoráveis. Existem também aqueles momentos em que somos lançados com a faca e o queijo na mão. Ou seja, podemos aparecer no jogo da vítima com certa vantagem, devido ao local onde aparecemos, ou em desvantagem, digamos. Vai de cada um utilizar sua própria estratégia, a partir daí, tendo em vista desaparecer, perfilar, hackear e fazer com que o download chegue aos 100%.

O multiplayer de Watch Dogs é fantástico. Ele realmente me pegou de jeito, e não posso negar que várias situações provocam um certo gelo na espinha. Uma estranha sensação de medo e ansiedade. Uma grande expectativa, enquanto aguardamos pelo alvo, enquanto o observamos, enquanto o download “corre” e tentamos permanecer incógnitos.

Observar o alvo passar do seu lado enquanto você se encontra escondido dentro de um carro é algo bem, digamos, instigante e animador, principalmente se ele “passar batido”, não te vendo, não te perfilando.

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Outro modo de jogo multiplayer em Watch Dogs, também muito bacana (o segundo por mim mais jogado), é o Perseguição Online (Online Tailing). Aqui, o objetivo é perseguir e vigiar o alvo, o outro jogador. Seja in loco, seja através de câmeras.

O alvo pode se movimentar, também, inclusive utilizando veículos, e quem está perseguindo deve se adaptar. Enquanto o alvo estiver sob a vista do perseguidor, o “percentual de vigilância” vai aumentando. O objetivo, obviamente, é chegar aos 100% sem que a vítima perceba nossa presença. E o alvo, claro, pode e deve fazer de tudo para sumir, para desaparecer, para ficar longe das vistas de seu inimigo.

Fico torcendo para que a Ubisoft, de alguma forma, não se esqueça de Watch Dogs e seu fantástico modo multiplayer. Sei que isto talvez não ocorra, mas eu gostaria muito de ver mais modos de jogo online. De ver e jogar novidades no multiplayer deste ótimo jogo que, a despeito do trabalho de sua desenvolvedora, se torna cada vez mais bonito.

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