A Microsoft finalmente anunciou o novo Xbox. Não, não teremos um console de próxima geração chamado Xbox 720, nem Infinity. Teremos uma “central de entretenimento com games em segundo plano” chamada Xbox One. A gigante de Redmond continua se esforçando para transformar um videogame em algo extremamente desejável em uma sala de estar. Por outro lado, será que nós, amantes de jogos eletrônicos, desejaremos o novo console? Logo de início devo dizer que o aparelho não me empolgou muito.

Confesso que sempre achei essa ideia um tanto quanto estranha. Afinal, sempre pensei em um console como uma máquina dedicada a jogos. Os tais “algo a mais”, bem, esses eu tenho em um PC, em um tablet, etc. Não tenho nada contra a inclusão de recursos adicionais e sociais, claro. Permitir que os usuários utilizem o aparelho para assistir a filmes, ouvir música, etc. Desde que não esqueçam dos jogos. Tudo isto não deve ser o foco, como parece ser o caso, aqui.

O Xbox One é diferente daquilo que a Sony oferecerá ao mercado com o Playstation 4. Aqui sim teremos, pelo que tudo indica, uma máquina de jogos. Um produto focado em jogos. Uma máquina de jogos com extras, e não um “brinquedo para a sala de estar que também roda games”.

Xbox One

Primeiramente, vamos às especificações do Xbox One, o “sistema de entretenimento tudo-em-um definitivo”, segundo a Microsoft:

  • Processador e GPU: trata-se de um system-on-a-chip (SoC) que inclui processador x86 com 8 núcleos (com mais de 5 bilhões de transistores) e GPU – produzido com processo de 40 nanômetros;
  • Memória RAM: 8 GB DDR3;
  • Disco rígido: 500 GB;
  • Drive de Blu-ray / DVD;
  • Conexões e comunicação: Wi-Fi, 3 portas USB 3.0, HDMI (entrada e saída);
  • Sensor Kinect com câmera 1080p mais preciso e ágil que funcionará em praticamente qualquer condição de iluminação e reconhecerá com precisão leves rotações de pulso, sendo também capaz de distinguir a voz do usuário mesmo em ambientes bastante ruidosos (quem assiste à Netflix no Xbox 360, atualmente, e possui um Kinect, deve certamente ter histórias bem engraçadas para contar);
  • Controle com mais de 40 inovações técnicas e de design, além de mais preciso, segundo a empresa;

O novo console contará com um sistema operacional integrado a uma plataforma de entretenimento especialmente desenvolvida pela empresa. A empresa também promete rapidez extrema e saltos instantâneos entre um jogo e uma outra opção qualquer de diversão. Isto sem falar na execução de diversos aplicativos em paralelo ao jogo.

Infelizmente, a Microsoft não divulgou qual será o clock do processador, e vale lembrar, também, o fato de que teremos 8 GB de memória RAM DDR3, enquanto o Playstation 4 terá 8 GB GDDR5. O novo Xbox, o XOne, também terá suporte a 4K (mas também isto não foi detalhado). O Xbox One será lançado, segundo a MS, no final de 2013, no mundo todo, e seu preço também não foi revelado. Mas com certeza teremos mais informações a respeito do console durante a E3 2013.

O Xbox One foi projetado para oferecer toda uma nova geração de games de grande sucesso, televisão e entretenimento em um poderoso dispositivo tudo-em-um. Nossa arquitetura única e moderna traz simplicidade para a sala de estar e, pela primeira vez, a capacidade de alternar instantaneamente entre os seus jogos e entretenimento“, disse Don Mattrick, presidente da Interactive Entertainment Business da Microsoft.

Eu sou o único a ficar com um pé atrás quando ouço falarem em “poderoso dispositivo tudo-em-um”, em “central de entretenimento”, em um “centro da sala de estar”, etc? Você também se sente, digamos, inquieto quando ouve este tipo de coisa?

O que os caras desejam é colocar o usuário frente a frente com um equipamento que fornecerá acesso a filmes, música, redes sociais, etc, e que também os deixará jogar. Os games parecem, pelo menos em minha opinião, terem sido relegados a segundo plano.

Com o Kinect, com os comandos de voz, etc, o usuário poderá, por exemplo, dizer “Xbox On”, simplesmente, e então uma dashboard personalizada será exibida, permitindo a descoberta de programas e filmes populares, conquistas desbloqueadas recentemente pelos amigos, etc. A Microsoft parece estar batendo com força nesta tecla, também, a dos comandos de voz. Certamente muitos jogos virão com aquele selo: “Better with Kinect Sensor”.

Bem, não virão não. O Kinect estará lá, integrado, de qualquer forma, portanto, o selo e/ou o aviso serão desnecessários. Mas o que me preocupa é a possibilidade de tentarem nos empurrar, após o lançamento do aparelho, “funcionalidades espetaculares das quais não precisamos”. Pior ainda: nos forçarem a utilizar tais “maravilhas”.

Games não são mais o grande interesse da Microsoft com o Xbox One, como fica quase claro. Um recurso chamado Snap permitirá que o “jogador” assista a um filme enquanto participa de partidas multiplayer. Duas coisas ao mesmo tempo, por exemplo, e para que, eu me pergunto?

Estou dizendo isto, desta forma, porque foi isto mesmo que foi mencionado no press release que recebi da assessoria de imprensa da Microsoft Brasil. Por que cargas d’água vou desejar assistir a um filme e jogar, ao mesmo tempo? O que eu gostaria de fazer, por exemplo, é assistir a um vídeo de gameplay no Youtube, com as devidas e necessárias pausas, enquanto jogo, caso tenha alguma dificuldade extrema em algum jogo. E isso eu já faço hoje, quando a necessidade surge, em meu PC e com dois monitores! Ah, falar com amigos via Skype e assistir a uma partida de futebol também poderá se transformar em uma rotina, no novo console. E, sim, haverá um Skype especialmente desenvolvido para o Xbox One.

Ainda falando a respeito dos recursos do aparelho, vale também mencionar o Trending, através do qual será possível ficar por dentro de quais programas são mais vistos pelo seu círculo de amigos, observar as tendências dentro da Xbox Live e, quem sabe, descobrir filmes e programas que sejam de seu agrado. O feliz dono de um Xbox One também poderá usar o OneGuide e buscar  por diversas opções de entretenimento somente falando com o aparelho.

Jogos para o Xbox One, incluindo exclusivos

Todos esperavam, claro, que jogos para o novo console fossem anunciados, o que realmente ocorreu. Forza Motorsport 5, da Turn 10 Studios, irá tirar o máximo proveito do console, segundo informado. Ele será lançado juntamente com o equipamento.

Call of Duty: Ghosts também não ficou de fora, e Microsoft e Activision anunciaram a renovação de sua parceria. Já a EA virá com FIFA 14, Battlefield 4, Madden NFL 25, NBA Live 14 e EA SPORTS UFC, títulos que farão uso da nova engine da empresa, chamada Ignite. A Ubisoft lançará Assassin’s Creed IV Black Flag e Watch Dogs para o novo console, também, e a Crytek vem chegando com a CryENGINE 3.

Quantum Break, da Remedy Entertainment, promete deixar dúvidas quanto ao que é um jogo e o que é TV. Segundo a Microsoft, em Quantum Break “a maneira como você joga interfere diretamente no ‘show’, e o ‘show’ informa como você deve jogar“. Vamos aguardar para ver, isto aqui me parece interessante e me lembra um pouco de Defiance, da Trion Worlds.

E voltando a falar a respeito da central de entretenimento com games em segundo plano, teremos Halo, também. Mas não um novo jogo, e sim uma série de TV cujo produtor executivo será ninguém menos que Steven Spielberg. A série se chamará simplesmente Halo, e contará com conteúdo exclusivo e interativo para o Xbox One. Veja só a importância que será dada a conteúdos diferentes de jogos eletrônicos!

Xbox One

A nova Xbox Live

A nova Xbox Live será mais pessoal e inteligente, segundo a gigante de Redmond. Jogos e conteúdos de entretenimento adquiridos poderão ser armazenados na nuvem, a partir de qualquer console Xbox One, e também haverá algo chamado Game DVR, para a captura e o compartilhamento de gameplays. Isto eu achei bacana e, aliás, não vejo a hora de Gabe Newell e sua turma inserir algo semelhante no Steam.

Haverá também melhorias no sistema de conquistas, com a captura de vídeos com os melhores momentos, o Xbox SmartGlass será algo nativo do sistema, e existirá também algo chamado Living Games:

Segundo a MS, “mundos dinâmicos que evoluem e melhoram quanto mais você joga, e a inteligência artificial avançada pode aprender a jogar como você, assim, seus amigos podem jogar contra a sua ‘”sombra’“. Intrigante, não?

Porém, recursos como Live TV com navegação via Kinect, TV ao vivo com o ONE Guide, Trending e NFL estarão disponíveis no console inicialmente apenas nos Estados Unidos. Não se sabe ainda quando tudo isto chegará, por exemplo, ao Brasil.

Finalizando

Não posso dizer que fiquei empolgado com o Xbox One. Essa ideia de transformar um videogame em uma central de entretenimento tudo-em-um “poderosa”, deixando o que realmente importa de lado (pelo menos em minha opinião), não me soa bem. Prefiro a liberdade de um PC e a comodidade de um tablet, por exemplo; gosto bastante, também, da união destes dois equipamentos com um smartphone. De diversas maneiras diferentes e, quem sabe, com um custo muito menor.

Ainda existe a tal trava contra jogos usados, vale lembrar. Bem, não se trata de uma trava, na verdade. Jogos deverão ser obrigatoriamente instalados no HD dos consoles, e para a instalação em um segundo console, em um outro HD, uma taxa deverá ser paga pelo novo dono/usuário. Deu pra entender como funcionará, não?

Isto sem falar na ausência de retrocompatibilidade: ou seja, seus jogos do Xbox 360 não rodarão no One. Ok, isto também  tem uma explicação: a arquitetura será diferente (mas me diga se, mesmo assim, você não ficou desapontado, caso seja dono de um Xbox 360?)

Não posso dizer que não comprarei um console da próxima geração. Um Xbox One ou um Playstation 4, por exemplo. Mas confesso que o que vi até agora não me surpreendeu nem um pouco. Talvez em partes devido ao fato de estar me tornando cada vez mais um PC gamer.

E, estou muitíssimo feliz com meu PC, com meus tablets, com meu Xbox 360, com meu smartphone e também com títulos que podem ser jogados através de qualquer navegador web. A Microsoft parece ter deixado os jogos de lado, no que diz respeito ao XOne. Ou, quem sabe, em segundo plano, mesmo. Ou até mesmo, talvez, ela deseje lançar algo único, totalmente diferenciado dos atuais consoles, bem como do Nintendo Wii U e do PS4. Mas será que ela não pode acabar se perdendo no meio do caminho?

Olhando para tudo isto, fico com muitas saudades dos tempos do Super Nintendo, do Mega Drive, do Master System, do Atari, dos fliperamas, etc. Empresas se esforçavam para entregar jogos realmente prontos, e podíamos, também, emprestá-los para quem desejássemos (dentre outras inúmeras vantagens).

Ok que a máquina em questão, aqui, o Xbox 720 One parece ser bacana. O problema é essa questão da “central de entretenimento”, de levar o console para a sala de estar, a qualquer custo. Onde ficam os games? Odeio este termo, mas, onde e como ficam os “jogadores hardcore”? Provavelmente no PC. E aquele terrível boato sobre a necessidade de conexão constante à internet? É somente um boato, mesmo?

Eu mesmo, se tudo correr como tenho em mente, pretendo investir mais, durante esta próxima geração, não em consoles, mas sim em PCs. E finalizando realmente, gostaria de deixar alguns vídeos com vocês. Um exibindo o console, claro. Mas não pude deixar de publicar um vídeo engraçadíssimo e que tem tudo a ver com o assunto, também.

Tomei conhecimento dele através do Aquino, do Retina Desgastada. Veja abaixo, e tente não ficar com este mantra (TV, TV, TV, TV, TV, TV) em sua cabeça.

OBS: se você chegou agora e achou este texto e meu desagrado em relação ao novo console da Microsoft estranhos, levando em consideração o nome do site (XboxPlus), dê uma lida neste post. Ele conta com algumas explicações a respeito do nosso nome, do foco em outras plataformas, principalmente o PC, etc. 😉

O vídeo engraçado:

E agora o vídeo “sério” (ou não):

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