Awards

Chegou o grande momento, caros leitores. Depois de uma nova rodada de porrada discussões nos bastidores, nós da Academia de Artes e Ciências Videogamísticas do XboxPlus (por essa você não esperava, hein?) finalmente definimos quem são os grandes nomes deste ano de 2013. A escolha foi baseada a partir de discussões internas e da opinião de vocês no tópico dos Indicados. Colocamos tudo na balança para dar o ultimato dessa disputa.

Ao todo, participaram exatos 50 candidatos – entre jogos e estúdios – da primeira seletiva eliminatória, realizada internamente. Para que um nome fosse “aprovado” durante essa etapa, era necessário que ele recebesse votos de mais da metade da nossa equipe. Dessa forma, chegamos aos 41 indicados que foram anunciados na semana passada. Destes, foram eleitos 8 grandes vencedores em suas respectivas categorias, que você conhecerá a seguir.

Antes de entregar as estatuetas, uma pequena curiosidade: durante a primeira etapa, quando cada membro da equipe também poderia dar seu palpite para vencedor dentro de seus próprios indicados, só duas categorias tiveram um ganhador unânime: maior decepção do ano e estúdio do ano. Será que acertamos? 😛

E o Oscar vai para…

Estúdio do Ano:

  • Irrational Games (BioShock Infinite)

Irrational Games

Criada em 1997 por ex-funcionários da Looking Glass Studios, a Irrational Games teve muita sorte: seu primeiro título, System Shock 2, a colocou rapidamente entre os estúdios mais inovadores da indústria. O shooter que mescla elementos de RPG e survival horror foi pioneiro em narrativas complexas e mecânicas de combate e exploração, elementos estes que se tornaram a alma da maior franquia da empresa: BioShock.

O trabalho visto em BioShock Infinite apenas consolida a longa tradição do estúdio em criar universos fantásticos que resgatam dilemas e questionam sociedades “perfeitas”. Roteiros minuciosos que desafiam nossa compreensão lógica se misturam a uma direção audiovisual impecável para trazer à vida impasses e tabus que você raramente enfrentaria diante de um video game. Não antes de colocá-lo em uma impressionante utopia flutuante do início do século XX.

Em Infinite, a Irrational não apenas mantém o legado de System Shock 2, como também explora uma temática que ainda encontra dificuldades para transpor os limites da compreensão humana. Ken Levine, cérebro por trás da empresa, fez a física quântica parecer fácil – e incrivelmente consistente –, driblando paradoxos e armadilhas literárias que impediram o êxito de centenas de outras obras que ousaram explorar o tema. Por esse trabalho extraordinário prestado à narrativa de belas histórias, a Irrational Games é o nosso Estúdio do Ano!

Por Artur Carsten

  • Demais indicados: Arkane Studios (Dishonored: The Brigmore Witches), Bohemia Interactive (Arma III; Take on Mars), Rockstar North (Grand Theft Auto V), SCS Software (Euro Truck Simulator 2 Going East! DLC), Telltale Games (The Wolf Among Us; The Walking Dead Season 2), The Fullbright Company (Gone Home) e Ubisoft Montreal (Assassin’s Creed IV Black Flag).

Melhor Jogo Independente: 

  • Brothers: A Tale of Two Sons (Starbreeze Studios)

Brothers

Nem tão humilde para um jogo indie, nem tão grandioso para um título AAA. É assim que Brothers: A Tale of Two Sons surge, no abismo entre estas duas vertentes da indústria de games, o que contribuiu para que ele passasse despercebido para grande parte dos gamers (mesmo sendo um dos destaque na Summer of Arcade 2013). Claro: é difícil não ficar ofuscado em meio aos jogos mais aguardados do ano, mas é exatamente em ocasiões assim que estes ilustres “desconhecidos” nos surpreendem!

Para quem quer uma narrativa bem envolvente e imersiva, mas que não careça de uma interatividade maior (Dear Esther) e que seja mais baseada no gameplay em si do que em textos (To The Moon), arrisco dizer que Brothers: ATOTS é uma excelente pedida. Sua jogabilidade é bem simples, ou talvez nem tanto assim (veja aqui nosso preview para entender melhor). É curto (3 a 4 horas de jogo), mas soa grandioso pelas suas paisagens e mudança constante de ambientes. Nos coloca em momentos tranquilos, divertidos e dramáticos sem se arrastar muito, o que ajuda a manter o interesse sobre o que irá acontecer a seguir.

Recomendo, a quem puder, jogá-lo no PC. Vocês verão que o aspecto técnico contribuirá para uma belíssima direção de arte. Sua trama vai alterando o tom e, quando nos damos conta, o impacto é bem profundo. O jogo se apoia no seu conceito de jogabilidade do começo ao fim e, até o último momento, nos surpreende. Seja na narrativa, seja na jogabilidade. Altamente recomendado, simplesmente um dos melhores jogos que já joguei em toda minha vida!

Por Diego Pereira da Silva

  • Demais indicados: Amnesia: A Machine for Pigs, Euro Truck Simulator 2 Going East! DLC, Gone Home, Kentucky Route Zero, Papers, Please, Shadowrun Returns, Space Engineers, The Incredible Adventures of Van Helsing e The Stanley Parable.

Melhor Trabalho Visual:

  • BioShock Infinite (Irrational Games)

BioShock Infinite

Com sua arquitetura neoclássica, elementos steampunk e dotada de uma incrível vivacidade, Columbia pode ser considerada por si só uma personagem de BioShock Infinite – o primeiro que encontramos após uma turbulenta ascensão propulsada que marca o início do jogo. Diferente de Rapture, a utopia submarina dos antecessores, Columbia (ainda) está em pleno funcionamento, permitindo ao jogador a completa apreciação de sua magnitude.

Gráficos ultrarrealistas e direções de arte admiráveis já estão entre nós há um bom tempo. Até então, o grande foco dado a tais elementos quase sempre ocorria em sacrifício de outros aspectos. Em Columbia, tais elementos técnicos se combinaram para compor os pilares de uma experiência digna de integrar as galerias do Museu do Louvre – uma com peso suficiente para consolidar, definitivamente, os jogos como uma forma de Arte.

BioShock Infinite é um daqueles jogos que valem o sacrifício de alguns frames por segundos apenas pela chance de admirar uma das mais belas expressões de arte virtual já concebidas. E você nem precisa ir muito longe: a primeira hora de jogo é suficiente para encher seus olhos de belíssimas imagens – não só de uma cidade que desafia a gravidade, mas de criaturas biônicas, bizarrices transdimensionais e de uma bela garota de olhos penetrantes: Elizabeth.

Por Artur Carsten

  • Demais indicados: Brothers: A Tale of Two Sons, Far Cry 3: Blood Dragon, Metro: Last Light e The Last of Us.

Melhor Narrativa:

  • BioShock Infinite (Irrational Games)

BioShock Infinite

Tenha você gostado ou não, debatido ou não, entendido ou não, a complexa trama de BioShock Infinite, uma coisa é certa: há muito não se passava tanto tempo comentando um mesmo assunto. Durante a maior tempo da sua campanha de 10-12 horas, a proposta é simples: assumimos o papel do ex-investigador Booker DeWitt, que ascende à cidade de Columbia para resgatar uma garota e sanar uma antiga dívida de seu passado atormentado.

É interessante como tal clichê esconde com uma eficiência assombrosa a revelação obliteradora que temos ao final. Ainda que leve um bom tempo para suas dúvidas serem respondidas, o forte simbolismo que Columbia carrega e a intensa devoção de seus cidadãos para com seu fundador, que se diz “Profeta”, sugerem que há algo fora dos eixos por ali. Por que Booker DeWitt é caçado pelas forças de segurança da utopia flutuante? Por que Elizabeth está isolada em uma torre e protegida por um pássaro biônico? Por que esse casal de roupas e penteados ajeitados vivem fazendo joguinhos mentais?

Jogue todas as suas teorias na mesa. É certo que nenhuma conseguirá explicar tais dúvidas – ou prepará-lo para a verdade – mas vale a tentativa. Acredite: a resposta pra todas elas é uma só. BioShock Infinite excede sua trama para muito além do que você esperaria de um video game. Faz você rir, faz você chorar, faz você pensar, faz você duvidar de si mesmo. E o melhor conselho que possa ser dado é este: cancele qualquer plano que você tenha após terminar esse jogo, pois sua mente ficará inutilizável por algumas boas horas.

Por Artur Carsten

  • Demais indicados: Brothers: A Tale of Two Sons, Dishonored: The Brigmore Witches, Metro: Last Light e Tomb Raider.

Jogo Mais Aguardado:

  • Watch Dogs (Ubisoft Montreal)

Sony E3 2013

Futuro. Mundo aberto. Liberdade. Hackear sistemas eletrônicos e agir de diferentes maneiras para resolver os mais diversos problemas. É, Watch Dogs seria um concorrente e tanto ao GOTY (e também espetacular) GTA V. Pena que o título foi adiado, de Novembro de 2013 para 2014 (sabe-se lá quando, com certeza).

Watch Dogs talvez fosse uma ótima alternativa àqueles que jogam no PC e se frustraram com o não lançamento do mais novo título da Rockstar North para esta plataforma. O jogo promete muita ação. Interação com sistemas eletrônicos da cidade também faz parte do pacote, e o protagonista, Aiden Pearce, pode também obter informações de quem está ao seu redor através de uma espécie de sistema de realidade aumentada. E o jogo ainda permitirá muita ação furtiva, além de grandes oportunidades para parkour.

Tudo o que vimos até agora nos diz que o jogo contará com gráficos exuberantes, e a possibilidade de nos infiltrarmos no “sistema operacional” que controla toda a cidade, incluindo equipamentos eletrônicos e também dados de cidadãos, o CtOS, parece abrir um leque enorme de possibilidades, principalmente levando-se em consideração o fato de que Pearce é um hacker extremamente habilidoso. É, este jogo promete.

Por Marcos A. T. Silva

  • Demais indicados: Destiny, Grand Theft Auto V (PC), The Witcher 3: Wild HuntTitanfall.

Maior Decepção do Ano:

  • Aliens: Colonial Marines (Gearbox Software)

Aliens

Um dos jogos mais aguardados em 2013. Uma franquia de peso. Sega e Gearbox (Borderlands) na jogada. E o que vimos foi um dos piores jogos já lançados. Talvez, dizer que Aliens: Colonial Marines seja um lixo não seja exagero. Cerca de 12 anos de espera, fãs afoitos, trailers espetaculares sendo divulgados, etc, etc. “Tudo bem”, no final descobrimos que tais trailers lindíssimos eram mentirosos.

Aliens: Colonial Marines era, na verdade, uma grande e triste mentira. O que nos foi entregue é algo bem diferente daquilo que nos foi prometido, demonstrado fantasticamente através de diversas mídias. Descobriu-se que a talentosa Gearbox não havia desenvolvido o jogo (pelo menos sua campanha). O desenvolvimento ficou à cargo da TimeGate Studios (Section 8, Section 8: Prejudice), empresa que, aliás, já fechou as portas.

Obviamente há muita controvérsia aqui envolvida, mas o fato é que, bem, Aliens: Colonial Marines é uma enorme decepção. Texturas de péssima qualidade, Xenos que agem estupidamente e não causam medo algum (quando deveriam) e animação facial muito mal feita são alguns dos problemas do jogo.

Mas talvez o maior deles seja a decepção causada pelas mentiras. Pela falta de respeito para com fãs da série. Processos contra Gearbox e SEGA foram iniciados, mas quem perdeu de verdade foi aquele fã ardoroso que adquiriu um punhado de código escrito de qualquer jeito pensando que estava levando para casa uma obra prima.

Por Marcos A. T. Silva

  • Demais indicados: Batman: Arkham Origins, BioShock Infinite: Clash in the Clouds, Call of Duty: Ghosts e Sim City.

Maior Surpresa do Ano:

  • Tomb Raider (Crystal Dynamics)

Tomb Raider

O Tomb Raider de 2013 foi uma enorme surpresa. Eu realmente não esperava por algo tão grandioso. Esquecer tudo o que sabíamos a respeito de Lara Croft é, talvez, um pré-requisito para jogá-lo. Esqueça a heroína “bombada”, segura de si, forte até demais, que jamais demonstra sofrer. A Lara do novo Tomb Raider é alguém que aprende e que luta para sobreviver durante o tempo em que nós, jogadores, temos o prazer de desfrutar de uma das mais belas campanhas já criadas para um jogo eletrônico.

Esta Lara Croft é humana. Demais. Ela sofre, chora, sente. Parece sentir de maneira extremamente forte a dor de todos os companheiros que foram parar juntamente com ela na tal ilha misteriosa. Ela não é uma guerreira pronta, ela aprende a lutar a duras penas, e a sobrevivência é o principal fator motivador. Lara, aqui, faz com que o jogador sofra e chore, também, tão espetacular foi o trabalho da Crystal Dynamics no desenvolvimento do personagem.

E o personagem evolui de maneira fantástica. De uma quase menina frágil, amedrontada e insegura, chegamos ao final do jogo controlando uma mulher forte, experiente e habilidosa, que chega a gritar palavras de ódio contra seus inimigos e fornece a seus amigos enorme apoio emocional enquanto luta para garantir a sobrevivência de todos.

Uma sobrevivente nasceu. Realmente. Tomb Raider é muito mais que um simples reboot. É um título espetacular. Um modelo que servirá como parâmetro de comparação, obrigando qualquer outro futuro jogo da franquia a, no mínimo, igualá-lo.

Por Marcos A. T. Silva

  • Demais indicados: Assassin’s Creed IV Black Flag, Brothers: A Tale of Two Sons, Papers, Please e Remember Me.

Jogo do Ano:

  • BioShock Infinite (Irrational Games)

BioShock Infinite

BioShock Infinite não é apenas um jogo que se excede em quase todos os aspectos que fazem dele um video game – na verdade, a maioria dos indicados também alcançou tal feito. BioShock Infinite é diferente. Ele é importante. Seja para a indústria, para as artes ou para a expressão do mundo contemporâneo com todos os seus defeitos, ilusões e sonhos. Não é fácil integrar tanto conteúdo – muitos polêmicos – em uma mesma trama e ainda combiná-lo a uma mecânica que colocou seus antecessores entre os maiores exemplos do gênero FPS.

BioShock Infinite é diferente pois permanecerá nas memórias daqueles que o apreciaram por um longo tempo, enquanto muitos títulos raramente permanecem conosco por mais do que alguns minutos após o encerramento. Seja você um apreciador de belas histórias ou alguém que procura apenas um bom shooter para desestressar, é impossível não encontrar motivos para admirar as conquistas alcançadas pelo jogo e o que ele fez pela indústria do entretenimento.

BioShock Infinite não tem medo de mostrar como a religiosidade e o extremismo racial afeta nossa cultura e muda nossas vidas. Não tem medo de debater assuntos que fogem de nossa mera compreensão mortal. Quando a história se encerra, você passa a se perguntar se é realmente possível acreditar em tudo que vemos, se estamos diante do que é real ou do que deveria ser real. É uma prova de como nossos sentidos nos encarceram e nos impedem de ver e sentir o universo como ele realmente é. Quando o final chegar, você vai imediatamente querer jogar de novo e assistir cada evento, cada imagem, carregando consigo os questionamentos que já não podem mais ser esquecidos. Infinite não é apenas um jogo ambicioso: é um triunfo artístico, literário e tecnológico.

Por Artur Carsten

  • Demais indicados: Assassin’s Creed IV Black Flag, Brothers: A Tale of Two Sons, Crysis 3, Defiance, Grand Theft Auto V, Metro: Last Light, Saints Row IV, Super Mario 3D World, The Last of Us e Tomb Raider.

Artur Carsten

Catarinense, amante da música eletrônica, estudante de medicina e jogador nas inexistentes horas vagas. Ocasionalmente, escreve artigos e coloca em dia a pilha interminável de jogos comprados em promoção no Steam. Já passou pelo Campo Minado, Continue, Guia do PC, Gemind e Oxygen e-Sports.

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